Finalmente um show de Wonder

Live at Last traz pela primeira vez um registro ao vivo do cantor de Superstition

Lauro Lisboa Garcia, O Estadao de S.Paulo

27 de maio de 2009 | 00h00

Stevie Wonder, que completou 59 anos no dia 13, lançou o primeiro disco em 1962. Portanto, contando só o material gravado, tem 47 anos de carreira. Só agora, no entanto, os fãs são contemplados com um registro de show do grande cantor. Eis que chega Live at Last (Motown/Universal), com mais de duas horas de duração. Registrado no Arena O2, em Londres, em outubro de 2008, o DVD evidencia como o ícone da soul music se mantém em grande forma vocal, com imagens de alta definição e áudio impecável.No DVD não há nada além do show. Wonder começa a sessão com scat singing e palmas, correspondido com enorme entusiasmo pelo público. Depois emenda com um solo de gaita, com a bateria de fundo. Aos poucos, outros instrumentos vão se juntando a eles para finalmente irromper no contagiante All Blues, instrumental. Na sequência, Wonder vai ao piano e sacode a arena lotada com a funkeada As If You Read My Mind. Em Master Blaster (Jammin?) adianta que "Barack Obama vai ser o próximo presidente".É um grande início e num crescendo o show vai ganhando força, com poucos, mas poderosos hits - como Higher Ground e Don?t You Worry ?Bout a Thing - na primeira parte. Depois de umas baladas meio arrastadas, ele brinda os britânicos com o UK Medley, improvisando versos e entoando trechos de canções dos Beatles e dos Rolling Stones dos primórdios, como I Wanna Hold Your Hand e Satisfaction. Simpático, mas a brincadeira se prolonga demais.Mais adiante, Wonder e banda enveredam por outros territórios, abrindo a suíte Spain com Concerto de Aranjuez e misturando soul com jazz e rumba - algo meio Santana. É quando abre espaço para os solos de cada instrumentista. O melhor ainda está por vir, a partir de Living for the City, irresistível como sempre. Cada uma que se segue a ela é uma comoção geral.Estrategicamente, o roteiro reserva as melhores e as mais populares canções de Wonder para o fim. Até Part-Time Lover e I Just Called to Say I Love You soam melhores do que nas gravações originais. You Are the Sunshine of My Life vira quase um samba na sequência final, que inclui maravilhas como Sir Duke, Overjoyed, I Wish, Lately e Superstition. Valeu a espera.

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