Filmes revêem história de Israel

No quadro da comemoração dos 60 anos do Estado, evento recebe 35 produções durante seis dias

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

05 Agosto 2008 | 00h00

Seis dias, cinco salas, 35 filmes - o 12º Festival do Cinema Judaico, que começa hoje e vai até domingo, ocorre este ano no quadro de uma comemoração maior, a dos 60 anos de fundação do Estado de Israel. Para assinalar a data, o festival promove uma viagem no tempo, por meio da exibição de filmes que, de alguma forma, documentam a evolução dessas seis décadas. São obras que fazem parte do patrimônio cinematográfico de Israel. Isso não descaracteriza o que tem sido a norma do evento, desde a sua criação - a cada ano, o festival busca trazer o que de melhor o cinema de tradição ou influência judaica, não necessariamente de produção israelense, oferece ao público de todo o mundo. Dividida em duas mostras competitivas - ficções e documentários -, a seleção busca ser a mais abrangente possível, discutindo desde temas tradicionais como o Holocausto até questões cotidianas e histórias familiares que apontam para a diversidade das sociedades judaicas espalhadas pelo planeta. Uma das particularidades desta edição é a presença não apenas de filmes de temática feminina (e até feminista), mas também dirigidos por mulheres. São sete filmes que possuem essas características e dez diretoras, duas delas brasileiras e ambas trabalhando no registro do documentário. Kátia Mesel conta, em O Rochedo e a Estrela, a história da expansão do judaísmo em Pernambuco, onde foi fundada a primeira sinagoga das Américas. Sua proposta é debater a miscigenação da cultura e da tradição judaicas com a herança de outras etnias - a portuguesa, a africana e a indígena. Adriana Komives, em Transoceano, investiga a própria identidade, por meio da história de seus pais, judeus-húngaros que fugiram para o Brasil e viveram os problemas próprios da inserção numa cultura que lhes era estranha. Ainda entre os documentários, destaca-se Europa Saqueada, inspirado no best seller homônimo de Lynn Nicholas, que mostra como os nazistas pilharam museus e coleções particulares de numerosos países. O filme, como o livro, levanta questões legais sobre a propriedade e restituição dos tesouros artísticos arrebatados pelos alemães, para satisfazer a obsessão de Adolph Hitler, pintor medíocre, pela grande arte. Vencedor do Oscar de melhor documentário de curta-metragem de 2005, Uma Nota de Triunfo - A Era Dourada de Norman Corwin tenta reconstituir o impacto que a transmissão do anúncio do final da 2ª Guerra teve para 60 milhões de ouvintes, em 8 de maio de 1945. Entre as ficções, destacam-se Lemon Tree, de Eran Riklis - a entrevista com o diretor está na capa -, e Os Falsários, de Stefan Ruzowitz. Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, Os Falsários já havia sido premiado no Festival de Berlim do ano passado. Como Lemon Tree, inspira-se numa história real, a de Salomon Sorowitsch, falsário escolhido pelos nazistas que pretendiam solapar as economias dos aliados por meio de uma derrama de dólares, francos e libras falsos. O dilema de Salomon, que era judeu, estava justamente no fato de poder obter vantagens individuais por suas habilidades, numa época em que milhões de judeus morriam em campos de concentração. É um filme de grande complexidade dramática e o ator que faz o papel - Karl Markovics - é excepcional. Serviço Festival de Cinema Judaico A Hebraica. Rua Hungria, 1.000, 3818-8888. Centro da Cultura Judaica. Rua Oscar Freire, 2.500, 3065-4333. Teatro Eva Herz. Avenida Paulista, 2.073, 3170-4033 Cinemark Pátio Higienópolis. Avenida Higienópolis, 618, 3823-2875, R$ 8 (grátis para sessões nas salas Anne Frank/Hebraica, Centro de Cultura Judaica, Eva Herz). Até 10/8

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