Bárbara Wagner & Benjamin de Burca
Bárbara Wagner & Benjamin de Burca

Filme ‘Swinguerra’ representará o Brasil na 58ª Bienal de Veneza

De autoria da dupla Bárbara Wagner & Benjamin de Burca, projeto audiovisual apresenta fenômenos da cultura popular nordestina

Eduardo Gayer, especial para o Estado

07 de março de 2019 | 16h01

“Esse é o Brasil que existe e parecem querer esconder.” Assim a dupla de artistas Bárbara Wagner & Benjamin de Burca comenta seu novo trabalho audiovisual, Swinguerra, que ocupará o Pavilhão do Brasil durante a 58ª Bienal de Veneza, que abre suas exposições em 11 de maio. 

Disputas entre grupos de dançarinos de swingueira em quadras de periferia do nordeste dão o tom da produção; daí vem a brincadeira de palavras, feita com o título do filme comissionado. “Existem vários sentidos na palavra ‘guerra’. Para nós é a alta competitividade entre os jovens que dançam”, conta Bárbara Wagner, em entrevista ao Estado. “Na verdade, é mais resistência que conflito”, acrescenta Benjamin de Burca. 

Jovens negros são a maioria dos dançarinos de swingueira, de acordo com os artistas, que competem em uma experiência coletiva muitas vezes desconhecida. No entanto, a dupla rejeita a pecha de que está ‘jogando luz a um tema pouco valorizado’. Para eles, a periferia produz e consome essa cultura, que ali funciona de modo paralelo e ali existe a despeito do mainstream. “É lindo observar que as tradições se formam e resistem assim.” Em uma prática centrada na observação, Swinguerra não pretende discutir ou explicar qualquer coisa, mas, sim, ‘falar junto’ com quem já tem a própria arte. “É uma verdade dada pelos corpos. É possível fazer uma arte que não seja didática ou educativa, que explore o exótico. Eles já existem e atuam, só são ignorados”, enfatiza Bárbara. 

O tema central da 58.ª Exposição Internacional de Arte, a Bienal de Veneza, May You Live In Interesting Times (Que você viva em tempos interessantes), foi escolhido pelo curador-geral Ralph Rugoff. Essa frase de origem inglesa foi falsamente atribuída a uma maldição chinesa e amplamente replicada como tal; a ideia, assim, é discutir pós-verdade e fake news, bem como períodos de incerteza e turbulência. 

Apesar de os pavilhões nacionais não precisarem, necessariamente, ter relação com a escolha de Rugoff, Swinguerra, na opinião de Gabriel Pérez-Barreiro, curador da participação brasileira no evento, dialoga com o tema central. “Houve uma feliz coincidência. O filme conversa muito com a facilidade atual de se fazer imagens”, comenta. Wagner e de Burca ressaltam que o trabalho audiovisual foi feito justamente com jovens, geração que é fruto do momento de produção acelerada de informação. “O universo das redes sociais não é só presente nas práticas dos dançarinos, é um elemento motivador. É uma geração que se apropria das ferramentas para produzir informação e cultura, o que tem tudo a ver com o contexto do tema geral.”

A 58ª Bienal de Veneza acontece de 11 de maio a 24 de novembro de 2019. A Fundação Bienal tem a prerrogativa de representar o Brasil no evento a partir de uma parceria com os Ministérios da Cidadania e das Relações Exteriores. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.