Mauricio de Sousa Produções
Mauricio de Sousa Produções

Filha de Mauricio de Sousa, Mônica inspirou uma das personagens mais populares do Brasil

Funcionária executiva da empresa da família, Mônica começou como vendedora na lojinha até chegar ao cargo importante que exerce hoje em dia

Eliana Silva de Souza, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2020 | 05h00

Ela não gosta de ser tratada como celebridade, é uma funcionária executiva da Mauricio de Sousa Produções e faz questão de frisar isso. Mas como não colocar Mônica Sousa na galeria de pessoas públicas e famosas? Afinal, ela serviu de referência para que seu pai, Mauricio, criasse uma de suas principais personagens, que ultrapassa gerações, e conquistou uma infinidade de fãs, das mais variadas idades. Foi observando essa filha, ainda criança, que Mauricio de Sousa colocou em suas histórias uma menina forte, que não leva desaforo para casa. Se Mônica, ao lado de Magali, Cebolinha e Cascão, chegou aonde está, boa parte da responsabilidade é da musa inspiradora, que foi referência a partir de suas características mais fortes. 

Perto dos 60 anos, que vai completar no fim de setembro, Mônica Sousa também está se mantendo em isolamento por causa da pandemia. O mesmo acontecendo com Mauricio, que recebe a visita dos filhos com todo cuidado, na maioria das vezes somente através do vidro. Pensando nesses cuidados, os filhos planejam um Dia dos Pais alternativo, virtual. Mas terá também o aniversário dela. Aí ela avisa: “Se não tiver festa não vou contar este ano, queria fazer uma festona, mas por causa da pandemia, não será possível, mas já falei, se não tiver festa, eu vou pular este ano”, diverte-se Mônica. Como ela está se mantendo trancada em casa e sua família também, consegue ter segurança para ver os filhos Carolina e Marcos e o neto, Marquinhos, de 2 anos. 

De sua casa em São Paulo, Mônica falou com o Estadão sobre esse período de isolamento forçado e aproveitou para lembrar momentos de sua vida. No decorrer da conversa, Mônica começa uma viagem no tempo, desde os primeiros anos de vida até chegar aos dias atuais. Lembra de ver o pai sempre trabalhando na sala da casa em que moravam no interior de São Paulo. Lá morou com o pai, a mãe, Marilene Spada, primeira mulher do cartunista, e as duas irmãs Mariângela, a mais velha, e Magali, a mais nova. “Eu cresci assistindo ao meu pai desenhar”, conta a executiva da Mauricio de Sousa Produções. Como era muito pequena, não tinha ainda noção de que fora transformada em personagem de história em quadrinhos por seu pai. O mesmo aconteceu com as duas irmãs, que também não sabiam que tinham sido transformadas nas amigas da Mônica nas historinhas. 

Como lembra Mônica, a criação das personagens veio de questionamento de fãs, que queriam que Mauricio colocasse meninas nas histórias, que eram protagonizadas pelos meninos. Ela diz que o pai começou a se questionar sobre a forma como poderia incluir essas personagens femininas nas histórias, pois suas referências eram masculinas. Foi por aí que se deu conta de que a inspiração estava ali ao seu lado, dentro de casa. Tinha ali três dos melhores exemplos. Foi então que surgiram a Mônica, Magali e Maria Cebolinha. “Eu tinha uma personalidade mais forte do que as minhas irmãs”, assume Mônica, revelando que foi por aí que seu pai montou a personagem. “Meu pai contava que a gente morava em uma vila e, às vezes, a Mariângela voltava chorando, a Magali chegava com fome, mas eu, se tinha problema com alguma criança, resolvia ali mesmo, nunca cheguei chorando em casa.” Desde cedo mostrou um gênio mais forte, tanto que assume que fazia o mesmo com as irmãs, “queria que me obedecessem”. Mesmo sendo ela a menorzinha, mais baixinha, o que valia era o posicionamento da menina. E assim, Mauricio compôs a personagem principal, com essas características fortes da filha do meio. 

Mônica reforça o que seu pai, Mauricio de Sousa, sempre conta, que a criação das filhas veio com a preocupação de ensinar que as meninas tinham suas vidas e os personagens, as deles. “Ele começou a ver que podia haver uma mistura na cabeça da gente, que podíamos pensar que éramos iguaizinhas às personagens e que a gente ficasse metida a besta”, conta a empresária, demonstrando todo o seu orgulho em relação ao pai, a sua história. Mas conta que não costumava dizer que era filha de Mauricio de Sousa, menos ainda que era a Mônica do gibi. “Só não tinha jeito quando meu pai ia na escola, aí parava todo mundo, dava autógrafos, fazia desenho.” Conforme o tempo foi passando, o sentimento com relação à personagem foi se modificando. Primeiro, a descoberta. Depois, na fase da pré-adolescência, veio o momento de transformação, de “querer se mostrar delicada, bonitinha”, aí ela afirma que não gostava muito de ser a Monica. A fase passou e com o decorrer do tempo, o orgulho de ser a filha que inspirou essa personagem tão forte só aumentou. 

Entre as diversas histórias que envolvem a pessoa e a personagem, Mônica conta que teve uma época em que achou que era forte como a menina dos quadrinhos. “Eu era criança, estava no primário e tinha uma vizinha que era grande, bem maior que eu, e acho que a gente se desentendeu e eu bati nela, mas também levei uma bela de uma surra. Foi então que vi que não era forte como a Mônica”, conta rindo muito. 

Para Mônica, a garotinha dos quadrinhos foi a primeira personagem empoderada e por isso foi e é muito importante, influenciando meninas a ser fortes também. E foi se espelhando nela que surgiu o projeto Donas da Rua, que tem por objetivo melhorar a autoestima feminina e enfatizar seus direitos.

 

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