Fiel: o olhar feminino no futebol

Em plena Semana Santa, Andrea Pasquini retrata a paixão do corintiano

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

08 de abril de 2009 | 00h00

Pode ser mera coincidência, mas a história é real, permanecerá para sempre no coração dos alvinegros e, embora deflagrada pela tristeza da derrota, será lembrada como os melhores anos da vida dos torcedores. Você não precisa ser da Fiel para saber que o Corinthians, em 2007, caiu para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro e no ano seguinte voltou à série A, depois de fazer a segunda melhor campanha da história da série B. Foram 70 pontos em 32 jogos, 20 vitórias, 10 empates e duas derrotas. O Corinthians voltou à Série A com seis jogos de antecipação e sempre empurrado pela torcida, a Fiel, que ganha agora o documentário assinado por Andrea Pasquini, que estreia hoje. Veja trailer de Fiel - O Filme A Paixão (do torcedor), nada mais adequado para uma Semana Santa. A ?coincidência? assinalada no início é que o curta A História Real e os longas Os Melhores Anos de Nossas Vidas e Sempre em Meu Coração compõem a filmografia da diretora de Fiel. Pode parecer estranho que justamente uma mulher assine a direção do filme, mas a surpresa se dilui quando você pensa na lendária Marlene Matheus, uma locomotiva a impulsionar a história do clube. Uma mulher dirige, mas a produção é da G7 Cinema e, por trás da marca, está Gustavo Ioschpe.A G7 Cinema realizou dois documentários recentes sobre clubes de futebol do Rio Grande do Sul. Há uma rivalidade muito grande entre Grêmio e Inter, a dupla Gre-Nal, cujos clássicos paralisam Porto Alegre, seja no estádio de um, o Olímpico, ou de outro, o Beira-Rio. Isso é praxe no futebol. Grêmio e Inter foram campeões do mundo. Futebol é arte, dirão os saudosistas, mas ela - a arte - é cada vez mais substituída pela política de resultados que domina as partidas.Inacreditável - A Batalha dos Aflitos e Gigante - Como o Inter Conquistou o Mundo são épicos sobre futebol. O segundo é maravilhoso, mas pode ser o colorado falando. A histórica partida do Grêmio contra o Náutico, no Recife, a campanha do Inter para vencer no Japão contam como times desacreditados deram a volta por cima. Fiel também aspira a essa dimensão épica, mas ela não se constrói dentro de campo e sim, nas arquibancadas, nos ônibus, metrôs, nos acessos aos estádios, onde a torcida vela pelo time. O filme divide-se em três atos. O primeiro mostra torcedores anônimos bradando o amor pelo ?Coríntia?, o segundo retrata a tristeza daquele 2 de dezembro em que o time foi rebaixado. O terceiro, o épico, trata do retorno à primeira divisão. A última é a melhor. O filme cresce. Corintiano de raça não pode perder. ServiçoFiel - O Filme (Brasil/ 2009, 92 min.) - Documen-tário. Dir. Andrea Pasquini. Livre. Cotação: Bom

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