Carolina Jardim
Carolina Jardim

Festival no Inhotim traz Paul Pfeiffer, o mago das imagens, Karol Conká e Jorge Ben Jor

Festival MECAInhotim será realizado a partir desta sexta, 7, no Instituto Inhotim

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2017 | 06h00

Paul Pfeiffer não nasceu em uma família de fãs de esportes. Em sua casa em Honolulu, no Havaí, onde cresceu, o ambiente era artístico e o pai, músico. Foi encarar o ambiente de endorfina e suor anos mais tarde. “Já era um adulto quando convivi com o esporte e em como as pessoas se relacionam com isso”, diz o norte-americano de 51 anos. “Me vi quase como um estrangeiro, um outsider, encarando esse novo mundo.” 

Morador de Nova York desde os anos 1990, Pfeiffer diversificou sua carreira em vídeos e imagens manipulados e instalações. Nas fotos, sua atenção se direcionava ao esporte, ao espetáculo. Com imagens como essa, acima, ele busca uma nova perspectiva para o espetáculo. Na imagem, chamada Four Horsemen of the Apocalypse (31), uma referência aos Cavaleiros do Apocalipse da Bíblia, ele deixa o jogador só, no centro do mundo, nessa espécie de coliseu. “Quando vejo partidas como essa, eu tenho uma percepção diferente. Vejo o corpo humano ali, algo mais abstrato. Me parece ser uma metáfora sobre quem somos, enquanto humanos, em ambientes tão intensos”, ele explica. 

Pfeiffer vem pela primeira vez ao Brasil. É um dos convidados mais aguardados da segunda edição do festival MECAInhotim, realizado no instituto localizado em Brumadinho, a 65 km de Belo Horizonte. Serão três dias de evento, a partir desta sexta, 7, até domingo, 9. O espaço, reconhecido como o maior centro de arte ao ar livre da América Latina, abrigou a primeira edição do evento no ano passado e, com a força de atrações musicais como Caetano Veloso e Liniker e os Caramelows, reuniu 5 mil pessoas e foi considerado um sucesso. 

Neste ano, os planos da plataforma Meca são maiores. A expectativa é que 8 mil pessoas se dirijam ao parque para conhecer o acervo, participar de palestras, como a de Paul Pfeiffer, workshops e ouvir som do bom. As grandes atrações musicais da vez são Jorge Ben Jor e o furacão ascendente Karol Conká, mas há artistas que também merecem atenção – leia mais abaixo. 

Pfeiffer chegou a Inhotim anteontem, uma hora antes de atender ao Estado por telefone. Havia passeado pouco pelo instituto, mas se dizia impressionado com a dimensão do lugar. Durante a entrevista, parou na Galeria Lygia Pape, inaugurada há cinco anos. “Tenho os próximos dias para passear e conseguir conhecer melhor esse lugar gigantesco”, elogiou. O artista planeja organizar uma visita guiada pelo instituto com as suas impressões para aqueles que forem ao festival. 

Pfeiffer, que também é escultor, dará uma palestra na data mais nobre, o sábado, para falar sobre o seu trabalho e sobre como ele enxerga o futuro da arte contemporânea, principalmente no seu ramo de trabalho, que são as imagens. “O Brasil, para mim, se encaixa dentro dessa cultura de imagens globais. Vocês possuem imagens icônicas, como Pelé ou Maracanã”, ele avalia. “E o Brasil tem um histórico muito interessante de explorar a materialidade e o neoconcreto.” 

Uma das obras do norte-americano, chamada Vitruvian Figure, de 2008, faz parte do acervo do instituto. Questionado se sua presença em Brumadinho é indício de que ela será colocada em exibição, Pfeiffer não confirma. “Estamos conversando. É o início de um plano”, diz. 

Conká e Jorge Ben estrelam a programação

Caetano Veloso e Liniker e os Caramelows eram as grandes estrelas da primeira edição do MECAInhotim. A segunda edição segue à risca o formato de unir, no topo da programação, uma estrela da MPB e um fenômeno. Em 2017, assumem os postos Jorge Ben Jor e Karol Conká – se você nunca ouviu o hit quente Tombei, corra para conhecer. 

Embora atrações da noite de sábado, 8, sejam as mais populares, o fino da curadoria está nos miúdos. É o caso do projeto MOONS, do mineiro André Travassos, do trio roqueiro carioca Ventre e da paulistana Terno Rei, com shows na sexta, 7. Os três, na introspecção, no ruído e na lisergia, respectivamente, mostram a força do indie atual. “Prezamos por dar espaço para o independente”, diz Rodrigo Santtana, sócio-diretor do festival. “Estamos conectados com todos.” 

INDICAÇÕES DO C2 

Sexta, 7 

MOONS, às 20h30

Projeto introspectivo de André Travassos é leve e delicioso

Terno Rei, 21h15

O Terno Rei propõe uma viagem por sons, cores e sabores 

Ventre, às 22h30

Para completar o trio de sexta,  a sujeira revigorante dos cariocas.  Uma das mais bandas mais interessantes da atualidade

Sábado, 8

Encadernação, às 10h 

Um workshop para ensinar a personalizar livros, ministrado por Carol Guimarães 

O Futuro Já É, às 10h30

Um debate sobre o futuro da moda e seu mercado 

Paul Pfeiffer, às 16h45

O artista debate a o futuro da arte e o papel do Brasil nisso 

Domingo, 9

Yoga & Música, às 9h30

Dupla Thais Faleiros e DJ Vitor Kurc conduzem a aula 

Women’s Music Event, às 16h

Claudia Assef e Monique Dardenne debatem o lugar da mulher na música 

Lia Paris, às 20h30

Agora em carreira solo, a cantora  soa vintage  

Veja a programação completa aqui.

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