Festa em Salvador desta vez é para as artes cênicas

1.ª edição de festival internacional reúne grandes espetáculos inéditos na cidade

Beth Néspoli, O Estadao de S.Paulo

23 de outubro de 2008 | 00h00

Sabe-se que a atividade teatral avança quando uma geração de artistas tem sua visão da arte fertilizada por uma concentração de grandes e provocadores espetáculos. Pois é o que vai ocorrer em Salvador, a partir de amanhã, quando tem início a 1ª edição do Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia. Na programação, que só termina no dia 31, companhias experientes, de linguagem sedimentada, apresentam espetáculos bem construídos e inovadores com potencial para ?fazer a cabeça? de jovens criadores, como Ensaio.Hamlet, da Cia. dos Atores, Hysteria, do paulista Grupo XIX de Teatro, e Aqueles Dois, da mineira Cia. Luna Lunera.Sinal da vitalidade do teatro brasileiro, chama atenção na programação montagens de longa e reconhecida trajetória que já circularam pelo País como Por Elise, do grupo mineiro Espanca, e Dinossauros, do grupo Cena, de Brasília. "É uma espécie de dever de casa. Companhias e espetáculos nacionais já vistos em várias cidades do País nunca vieram a Salvador", diz Nehle Franke, coordenadora e curadora do festival em parceria com Ricardo Libório e Felipe de Assis. Há ainda espetáculos da Argentina, Noruega, Portugal e África. Entre os destaques internacionais estão Sizwe Banzi, cujo texto nasceu num gueto da África do Sul, foi dirigido por Peter Brook com atores africanos e já passou por São Paulo, e O Grande Criador, do grupo português Chapitô. Nehle Franke enfatiza que além de provocar a atividade teatral da cidade o festival pode contribuir para a formação de público, apurando o olhar do espectador. Ela chama atenção ainda para a importância da cena baiana na mostra - oito espetáculos selecionados por uma comissão, entre eles Sonho de Uma Noite de Verão, do Bando de Teatro Olodum."O Fiac BA quer ser também uma vitrine para a produção baiana. Diretores do Núcleo de Festivais (que reúne os festivais internacionais das cidade de Londrina, Rio, Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre) estarão aqui, entre outros curadores, e naturalmente a atenção deles estará direcionada para a produção baiana, e nordestina, que ainda não circulou. O festival é para a cidade."A tentativa de levar jovens dedicados à atividade, e ampliar o acesso do público, começa pelo preço dos ingressos. De segunda até o fim do dia de hoje o público local teve a possibilidade de pagar preços entre R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia) para qualquer espetáculo. "São baratos até para a cena baiana." A partir de amanhã o custo passa a ser de R$ 10 e R$ 5.O espectador pode conferir a programação completa que vai tomar palcos e ruas de Salvador e arredores, ler informações sobre os grupos e ver imagens dos espetáculos, inscrever-se para oficinas, palestras, encontros e outras atividades no site www.fiacbahia.com.br. "Vamos ficar atentos ao retorno do público para aperfeiçoarmos a próxima edição."

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