EDUARDO MUNOZ| REUTERS
EDUARDO MUNOZ| REUTERS

Fernando Botero leva a Roma sua visão livre e humana da Via Crúcis de Cristo

A mostra fica em cartaz até maio no Palácio de Exposições e reúne 27 óleos de grande formato e 34 desenhos

EFE

16 de fevereiro de 2016 | 15h20

O colombiano Fernando Botero leva ao Palácio das Exposições de Roma sua Via Crúcis, a Paixão de Cristo, uma versão “livre e muito humana” do sofrimento de Jesus, em que o artista se baseia para falar de temas “muito atuais, como a necessidade de misericórdia”.

A mostra, que permanecerá exposta até maio, compreende 27 óleos de grande formato e 34 desenhos, nos quais Botero retrata a crucifixão e morte de Jesus Cristo segundo a tradição cristã, tema que ele viu representado desde a infância em Medellín. Mais tarde, ele conheceria as obras dos grandes pintores italianos que influenciaram grandemente a obra do artista de Antioquía (Colômbia), que, neste caso, empresta às pinturas um toque pessoal e atual.

“Não é um retrato fiel da História Sagrada, mas, a pretexto de mostrar o drama da paixão de Cristo, fala de temas muito atuais como a necessidade de misericórdia e apoio mútuo que esta história traz consigo e que são tão válidos atualmente”, explicou à EFE a curadora do Museu de Antioquía, Nydia Gutiérrez.

Na Via Crúcis, Botero (Medellín, 1932) apresenta uma “versão livre e muito humana, como a de um leigo, de um pintor que retratou a vida cotidiana da história da paixão de Cristo”, acrescentou. Além disso, ele representa o drama em ambientes que lembram o interior das casas latino-americanas, na presença de militares em uniformes verdes, em vez de soldados romanos, que golpeiam Jesus Cristo.

São as cenas dos últimos dias de Cristo, quando ele foi feito prisioneiro, condenado à morte, crucificado e sepultado, num estilo “volumétrico, colorido e contemporâneo”, explicou a curadora. Esta série de desenhos e óleos pertence ao Museu de Antioquía, desde que, em 2012, durante a celebração do 80º aniversário do pintor e escultor de Medellin, o mestre doou esta coleção movido pela emoção que sentiu durante as comemorações do seu aniversário. Entre os quadros expostos, destaca-se Crucifixão (2011), óleo sobre tela em que Jesus Cristo aparece crucificado em pleno Central Park de Nova York, com ao fundo alguns edifícios representativos da Grande Maçã.

A enormidade do corpo de Cristo não é determinada somente por suas dimensões, mas também pela notável diferença de tamanho em relação ao dos pedestres, representados de forma minúscula enquanto passeiam pelo parque.

Nesta tela, Botero coloca aos pés da cruz uma mãe e seu filho que parecem estar contemplando a cena da crucifixão enquanto as outras pessoas do fundo continuam suas atividades cotidianas.

“O Cristo de Botero é um Cristo morto, de olhos fechados que sugerem a ideia de morte, e se aproxima mais da ideia de homem torturado e ultrajado do que à da divindade”, explicou Gutiérrez. Um Cristo humano e derrotado, em vez de triunfante e divino, que Botero enfatiza com o emprego de uma cor vermelha matizada para as feridas, e que concentrou os comentários do público presente à inauguração.

“A dor e a morte unem-se na figura de um Jesus Cristo moribundo e enfermo, porque Botero tomou a liberdade de mesclar certas realidades latino-americanas com temas bíblicos, e, de fato, alguns personagens do fundo usam roupas atuais”, acrescentou. A série foi apresentada pela primeira vez em Nova York em 2011, onde recebeu os primeiros olhares do mundo e, em 2015, foi exposta na Sala Duca di Montalto, no Palácio Real de Palermo (Sicília).

Em 2013, a Via Crúcis viajou para o Museu do Canal Interoceânico do Panamá, para a comemoração dos 150 anos da cidade, e, no final de 2014, foi apresentada no Chile na Corporación Cultural los Condes. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

 

 

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