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Feira de arte ArtRio tenta driblar crise e dólar alto

Evento reúne menos galerias e aposta na venda de obras de artistas brasileiros

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S. Paulo

07 de setembro de 2015 | 08h00

Em ano de crise econômica e de dólar alto, a ArtRio, feira de arte que traz galeristas, artistas e colecionadores à cidade entre os dias 9 e 13, no Píer Mauá, reduziu o número de galerias em 20% em relação à edição de 2014, sendo que a proporção de brasileiras subiu de 57% para 70%. 

A Gagosian, considerada a maior do mundo e que em anos anteriores trouxe obras de Picasso, Andy Warhol e Damien Hirst (e vendeu milhões), este ano preferiu vir só para a SP-Arte, feira realizada em abril.

De 100 galerias de 13 países, ano passado, passou-se a 80, de 11 países. “Foi uma estratégia que traçamos desde o início do ano, por ser um ano esquisito. Uma decisão difícil de ser tomada, mas optamos por seguir uma tendência mundial. Teremos muitas galerias brasileiras, porque com esse dólar as estrangeiras não iriam vender bem”, afirmou uma das organizadoras, Brenda Valansi. 

Cenário ruim. Segundo ela, o número de candidatas a estar nos galpões do píer foi alto, 350 – as escolhas são feitas por um comitê de seleção formado por galeristas do Rio, São Paulo e Nova York. “Pensamos o seguinte: a gente quer ser a maior feira ou uma feira ótima? A ArtRio é anual, então é natural que se adapte ao cenário macroeconômico do mundo do ano”, disse Brenda.

Procurada pelo Estado, a Gagosian, com sede em Nova York e presente em Londres, Paris e Roma, não comentou a saída da ArtRio nesta quinta edição, depois de três anos presente – um representante alegou que todos os diretores que já estiveram envolvidos com a feira carioca estavam de férias no momento. Segundo Brenda, o relacionamento com a galeria se mantém, e a ausência este ano se deve ao cenário brasileiro ruim. 

Desertoras. Ficaram as também prestigiosas Mayoral (espanhola), que trará obras de Picasso, Dalí e Miró; White Cube (inglesa), com quadros do alemão Georg Baselitz; e a americana David Zwirner, com obras da artista japonesa Yayoi Kusama. Entre as desertoras está a paulistana Oscar Cruz.

“Seria muito difícil vender artistas internacionais este ano. Na SP-Arte, com dólar a R$ 3,20, já foi complicado (na quinta-feira passada a moeda norte-americana foi cotada a R$ 3,81). E eu não estava contente com a ArtRio, pois participei das quatro primeiras edições e me colocaram no pior lugar da feira.

Eles claramente privilegiam as galerias internacionais”, justificou Oscar Cruz, o proprietário, que tem entre seus artistas nove argentinos.

À frente da galeria que leva seu nome, no Rio, Anita Schwartz promete levar obras de impacto de Nuno Ramos, Waltercio Caldas e Angelo Venosa. “Existe certa tensão, mas estamos animados. Apesar da crise, para obras boas vai sempre ter cliente, porque arte é eterna e se valoriza”, disse Anita. Os ingressos para a ArtRio custam R$ 30, mesmo preço do ano passado.

 

Na rua. Paralelamente, do dia 10 ao 13, estará em cartaz a quinta edição da ArtRua, no Centro Cultural Ação da Cidadania, na mesma região portuária. As obras centrais são sete painéis de 6 por 19 metros, assinados por sete artistas de São Paulo: Onesto, Titi Freak, Alto Contraste, Tinho, Mag Magrela, Enivo e Zeh Palito. No entorno, estão programadas intervenções artísticas. 

 

Bienal. Abriu no sábado, dia 5, a TRio Bienal, mostra pioneira de arte contemporânea com foco no tridimensional (objetos, instalações, esculturas). Estão expostas obras de 160 artistas de 44 países (como Marina Abramovic, Vik Muniz e Anna Bella Geiger), dispostas em 11 espaços culturais da cidade, como o Centro Cultural Banco do Brasil e o Museu Histórico Nacional.

“O Brasil é muito forte na questão tridimensional, desde Aleijadinho a Hélio Oiticica e Lygia Clark até hoje. O Rio precisava de ter um evento desse, sem caráter comercial”, afirmou o curador Marcus Lontra. Locais e horários de visitação estão em http://triobienal.com/.

Já no dia 12 estarão na cidade instalações do chinês Song Dong e do francês Daniel Buren. O primeiro, com material de demolição de alto impacto visual (portas, janelas, móveis), na rotunda do CCBB. O segundo, conhecido pelo uso de listras.


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