Favoritos disputam com papéis de psicóticos

Daniel Day-Lewis, em Sangue Negro, e Javier Bardem, em Onde os Fracos Não Têm Vez, concorrem como ator e coadjuvante

Flávia Guerra, O Estadao de S.Paulo

23 Janeiro 2008 | 00h00

''''Eu adorei trabalhar com os Coen. Foi ótimo porque descobri, além de outras coisas, que eles não dormem juntos'''', brincou o ator espanhol Javier Bardem quando questionado no Festival de Cannes, em maio, sobre a experiência de ser dirigido pela dupla mais badalada do cinema mundial. ''''Mas, falando sério, não é mito. Os Coen podem ser estranhos (eu nunca sabia se era o Joel ou o Ethan quem estava dirigindo), mas são geniais. Conseguiram me ajudar a dar a meu personagem algo mais que só uma grande esquisitice. Algo que ultrapassa o tom cinematográfico'''', acrescentou o ator, esbanjando o bom humor de sempre. Diante da brincadeira de Bardem, os tímidos Coen só fizeram rir e concordar. ''''Este, como todos os outros, é um filme muito pessoal e, ao mesmo tempo, universal que sempre estamos perseguindo e contar histórias de gente que fazem parte do nosso universo, mas que poderiam viver dilemas como qualquer um'''', afirmaram os irmãos, quase num jogral que confirma a lenda de ''''inseparáveis''''. Em Onde Os Fracos não Têm Vez, eles contam a história de Llewelyn Moss (Josh Brolin), um típico caipira do oeste americano que encontra um mala cheia de dinheiro no meio do deserto e decide levá-la para casa. Quem é encarregado de recuperá-la e perseguir Moss ? O psicótico Anton Chigurh (Bardem). De fato a ''''brincadeira'''' com os Coen foi boa. E de fato Bardem continua muito bem humorado. Ele, que passou o réveillon em Fernando de Noronha, emitiu um comunicado oficial: ''''É uma honra receber esta nomeação, que é sem dúvida um reconhecimento ao trabalho e ao talento de todos que dividem este ofício comigo e que sempre me inspiraram.'''' Bardem não só acumula um Globo de Ouro de melhor ator como sua segunda indicação ao Oscar, desta vez por melhor ator coadjuvante - ele já havia sido nomeado como ator em 2000, por Antes do Anoitecer. Tão psicótico e obcecado quanto Chigurh (Bardem) é Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) no filme que é o grande concorrente de Onde os Fracos neste ano. Cada um disputa com oito categorias. Paul Thomas Anderson acumula três indicações por Sangue Negro: direção, filme e roteiro original. É sua quinta indicação. Já concorreu à roteiro original por Magnólia (1999) e por Boogie Nights (97). Mas, mesmo que leve a estatueta desta vez, vai ter de se contentar em ser coadjuvante sob os holofotes. Todas as atenções se voltam mesmo para Day-Lewis. Considerado quase um ''''ator patológico'''', Day-Lewis é famoso por escolher poucos e bons papéis. Desta vez, um dos pioneiros da indústria do petróleo em uma história violenta que também ocorre na chamada América Profunda. Em entrevista ao jornal The Guardian, Lewis diz que não é este louco que todos acreditam ser. Diz que gosta de levar sua vida reclusa no interior da Irlanda porque o faz lembrar de sua infância feliz. Escolha nada ruim para um astro de Hollywood cujos hobbies são pregar paralelepípedos nas ruas e tirar férias para aprender a ser sapateiro em Florença.

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