Família de Joaquim Nabuco doa acervo histórico do abolicionista para fundação

Família de Joaquim Nabuco doa acervo histórico do abolicionista para fundação

Ainda na casa dos descendentes de Nabuco, material reúne quase 6 mil peças

Monica Bernardes, Especial para o Estado

26 de julho de 2018 | 06h01

RECIFE - “Um verdadeiro tesouro histórico”. É assim que a coordenadora do Centro de Documentação e de Estudos da História Brasileira (Cehibra) da Fundação Joaquim Nabuco, a historiadora Rita de Cássia Barbosa, classifica o acervo, com quase seis mil peças, que acaba de ser doado pela família do abolicionista Joaquim Nabuco à fundação que leva o seu nome e é uma das mais importantes instituições de fomento e formação nas áreas de cultura e educação do Nordeste do País.

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O material, que ainda está na casa dos descendentes de Nabuco, no Rio de Janeiro, e será trazido por uma empresa especializada no translado de obras de artes e documentos históricos, se somará a um primeiro acervo, composto por mais de 15 mil peças, que já está sob os cuidados da Fundaj desde 1974. 

A previsão é de que o material seja esteja disponível para o público a partir do segundo semestre de 2019, quando a Fundaj completa 70 anos de existência. Apesar de ainda não ter sido oficialmente catalogado pelos pesquisadores da instituição, já é possível destacar algumas peças. 

“Há centenas de cartas de Nabuco para outras pessoas de importância histórica mundial relevante, a exemplo de Dom Pedro II, do escritor Machado de Assis e do ex-presidente dos EUA, Theodore Roosevelt. Há dezenas de diários do próprio Nabuco, de sua esposa, Eveline Torres, e de sua filha, Carolina Nabuco. Muitas fotos da família, em viagens e em situações corriqueiras. Há ainda documentos oficiais, como a certidão de nascimento e batismo dele e outros itens bem curiosos como uma espécie de boletim escolar de Nabuco e um livro de receitas de Eveline”, destacou Rita. 

Quando questionados sobre os “xodós” do acervo, Rita e o documentarista Pedro Nabuco, que é bisneto de Joaquim Nabuco, apontam objetos distintos. Para ela, uma fotografia de uma mulher chamada Maria Luisa, ama-seca de Joaquim, e que viveu com ele durante sua primeira infância, na casa de sua madrinha, Ana Rosa, localizada no Engenho Massangana (propriedade tombada e vinculada à Fundaj), é o item preferido. Para Pedro, que foi o porta-voz da família na oficialização neste processo de doação, um diário de Nabuco, datado de 1988 (ano da abolição da escravatura no Brasil), seria a peça mais emblemática da coleção. 

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“A documentação vai receber o melhor abrigo possível aqui na Fundação. A nossa família fica muito feliz de ter a Fundaj como guardiã desse acervo. A Fundaj é uma ave rara, que nos enche de orgulho”, afirmou Pedro, que fez questão de relembrar das referências que teve ao longo da vida sobre o bisavô, com histórias contadas por seu avô José, filho caçula de Joaquim Nabuco. “Meu avô José dizia aos seus netos que atrelassem sua vida a uma estrela e fizessem dessa estrela o seu ideal. Acho que ele pensava em Joaquim Nabuco quando nos falava isso”, destacou.

Doar uma parte desconhecida do acervo, de acordo com Pedro, é “como jogar uma garrafa ao mar”, dando a oportunidade de estudiosos e pesquisadores entenderem melhor o pensamento do bisavô. 

De raridade inquestionável, os documentos serão incorporados ao Arquivo Privado Joaquim Nabuco, reconhecido como “Memória do Mundo Unesco-Brasil 2008”, preservado e acessível à consulta no Cehibra. “Tudo será tratado, catalogado e posteriormente mandado para digitalização e em breve estará disponível para quem quiser acessar essa riqueza imensa”, destacou Rita. 

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