Hugo Curti/Fábrica de Arte Marcos Amaro
Seres híbridos, surreais, criados por Tarsila do Amaral Hugo Curti/Fábrica de Arte Marcos Amaro

Fama Museu de Itu adia abertura da exposição de Tarsila do Amaral por causa do coronavírus

Abertura da mostra com desenhos raros da artista seria neste sábado, 14, uma nova data será divulgada nos próximos dias

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2020 | 14h47

O Fama – Fábrica de Arte Marcos Amaro de Itu emitiu comunicado informando o adiamento da abertura da exposição com desenhos raros de Tarsila do Amaral, que seria neste sábado, 14, por causa da pandemia do coronavírus

Aqui o comunicado:

A abertura da exposição Tarsila: estudos e anotações, marcada para este sábado (14/3) no FAMA Museu, em Itu, foi adiada em função da pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2), conforme anunciado ontem (11/3) pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A nova data para abertura da mostra será decidida nos próximos dias, com base nas orientações das autoridades de saúde.

Entre as 2 mil obras pertencentes ao acervo da fundação mantida pelo colecionador e galerista Marcos Amaro, figuram 203 desenhos originais da modernista Tarsila do Amaral (1886-1973) e são estar obras que integram essa exposição, que terá nova data para ser aberta.

Com 50 funcionários trabalhando no espaço cultural – uma antiga fábrica de jeans tombada pelo Patrimônio, que está sendo restaurada –, a Fama já recebe 12 mil visitantes por ano, número que tende a crescer com a futura exposição de Tarsila organizada pelas curadoras Aracy Amaral e Regina Teixeira de Barros. Essa previsão se justifica após o êxito da retrospectiva da pintora (Tarsila Popular) no Masp, que bateu recorde de visitação em 2019.

Mais conhecida como pintora, Tarsila foi também exímia desenhista, formada no ateliê do acadêmico Pedro Alexandrino (1856-1942), onde conheceu Anita Malfatti (1889-1964), de quem se tornou amiga. Alexandrino, aluno de Almeida Júnior (1850-1899), foi formado – a exemplo do amigo professor – no rigor da academia francesa, dando muito valor ao desenho, que considerava a base fundamental da boa pintura. Curiosamente, foi o projeto racional do desenho que levou Tarsila a desenvolver sua expressão cromática livre e sensual, como provam alguns esboços da futura exposição da Fama. Também com Alexandrino, lembra a curadora Regina Teixeira de Barros, Tarsila criou o hábito de carregar caderninhos de anotações e esboços, origem de muitos dos desenhos que poderão ser vistas nesta mostra, que ganhará nova data para ser realizada em Itu, cidade vizinha onde nasceu Tarsila, Capivari.

 

 

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Argentina adia Lollapalooza 2020 por causa do coronavírus

Edição do festival no país vizinho seria realizado entre os dias 27 e 29 de março, e organização procurada no segundo semestre

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2020 | 13h40

Está confirmado o adiamento do festival Lollapalooza da Argentina por causa do coronavírus. Eventor seria realizado entre os dias 27 e 29 de março, em San Isidro. Organização informa que está procurando nova data para a realização do festival, no segundo semestre. 

Esse deve ser o caminho de muitos outros shows organizados em diversos países, na tentativa de conter o avanço do Covid-19, que vem afetando a saúde das pessoas e travando a a circulação e concentração de público em locais das apresentações.

Aqui no Brasil, todos aguardam pronunciamento sobre a edição do Lollapalooza aqui no País, que está marcado para começo de abril, de 3 a 5, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. 

 

Entre as atrações da edição argentina, o Lollapalooza havia escalado nomes como Lana Del Rey e Guns N'Roses. 

 

 

 

 

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Chile segue Argentina e adia o Lollapalooza 2020

Festival seria realizado dias 25, 27 e 29, em Santiago, uma nova data está sendo estudada pela organização

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2020 | 14h24

Devido à pandemia de coronavírus e seguindo o que foi decidido pela Argentina nesta quinta, 12, o Chile também decidiu adiar sua edição 2020 do festival Lollapalooza, que seria realiado dias 25, 27 e 29 de março, em Santiago. Organização informa que está procurando nova data para a realização do festival, no segundo semestre. 

Esse deve ser o caminho de muitos outros shows organizados em diversos países, na tentativa de conter o avanço do Covid-19, que vem afetando a saúde das pessoas e travando a circulação e concentração de público em locais das apresentações.

Entre os destaques da edição do Chile, nomes como Travis Scott, Lana Del Rey, The Strokes. 

Aqui no Brasil, todos aguardam pronunciamento sobre a edição do Lollapalooza aqui no País, que está marcado para começo de abril, de 3 a 5, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. 

 

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Como o coronavírus pode fazer a temporada de festivais de música desaparecer

Nos EUA, o cancelamento do SXSW e o possível adiamento do Coachella colocam em risco a sequência de eventos de verão

Sonia Rao, The Washington Post

10 de março de 2020 | 17h28

A economia local de Austin, no Texas, passou a esperar um influxo de receita do South by Southwest, o festival de música, cinema e tecnologia anual que atrai milhares de visitantes. Então quando a cidade, citando o crescimento do novo coronavírus, cancelou o evento este ano, mandou um choque ao sistema. Artistas em ascensão perderam a chance numa plataforma de muita atenção. Pequenos negócios viram sumir um inchaço aguardado no tráfego de pedestres.

“Estamos devastados em dividir essa notícia com vocês”, disseram os organizadores do SXSW na semana passada. “‘O show deve continuar’ está no nosso DNA, e essa é a primeira vez em 34 anos que o evento em março não acontecerá.” 

A decisão, tomada ao mesmo tempo em que autoridades municipais declararam calamidade pública com a ameaça do coronavírus, tem sido classificada como lamentável mas necessária. Os festivais são o mais recente setor da indústria do entretenimento a sofrer com o resultado do vírus potencialmente mortal se espalhando pelo mundo, e, apesar de outros terem cancelado seus planos antes, o SWSX é amplamente visto como um ponto de inflexão. Com rumores de ser transferido de abril para outubro, o Coachella Valley Music and Arts Festival é o próximo grande evento com a batata quente.

E conforme a temporada de festivais de verão no hemisfério norte se aproxima, não será o último.

“Esse é o começo do vírus”, disse o advogado de entretenimento baseado em Nova York David Chidekel. “O que está acontecendo é que as pessoas, de um ponto de vista preventivo, começam a pensar que é melhor cancelar do que, se algo der errado, parecer os babacas gananciosos que não fizeram nada.”

O SXSW relatou mais de 400 mil participantes no ano passado. O Coachella, localizado num condado da Califórnia que reportou múltiplos casos do novo coronavirus, espera atrair cerca de 250 mil. E o Stagecoach, o festival de música country após o Coachella, já teve mais de 70 mil.

Mesmo se uma cidade não declara calamidade pública ou limita o tamanho de ajuntamentos autorizados, Chidekel diz que há a ameaça de um “desastre de relações públicas” sobre os eventos de grande escala agendados para o futuro próximo. Dessa posição, ele continua, não há tanto prejuízo em cancelar. Se o surto piorar, os organizadores vão estar na linha de frente daqueles tentando impedi-lo; se não, eles ainda serão “aqueles que de maneira prudente colocaram seus interesses financeiros em banho-maria pela segurança das pessoas”.

O jornal The Washington Post entrou em contato com diversos festivais agendados para os próximos meses nos EUA. Os dois que responderam, BottleRock Napa Valley and D.C.'s Broccoli City Festival, ocorrem em maio e disseram que, nesta terça-feira, planejam seguir em frente enquanto continuam em contato com as autoridades de saúde.

A perda financeira de jogar fora um festival pode ser impressionante, chegando aos milhões. Os organizadores do SXSW confirmaram para o Austin Chronicle que não tinham seguro cobrindo cancelamento por “infecções bacterianas, doenças contagiosas, vírus e pandemias”. As apólices comuns não cobrem esse tipo de causa, apontou Chidekel, acrescentando que “elas passarão a cobrir, posso garantir”. 

Em relação ao pagamento de artistas, festivais de música cancelados podem não ter tanta obrigação financeira. Com a exceção de headliners que podem ser pagos adiantados — “o 1%, digamos”, afirma Chidekel — a maioria dos artistas assina contratos sujeitos a uma cláusula de “força maior”, o que alivia o festival de cumprir suas obrigações contratuais quando as circunstâncias estão fora de seu controle.

Tom Leavens, um advogado baseado em Chicago que serviu como conselheiro na Pitchfork Media antes da sua venda para a Condé Nast, costumava ajudar a coordenar o Pitchfork Music Festival e disse que cláusulas de força maior são “bastante comuns” nas indústrias. Enquanto o surto de coronavírus em si possa ser suficiente para ativar a cláusula, Leavens disse que as declarações de calamidade pública de governos locais, como em Austin, fornecem um porto seguro.

“É um argumento mais forte para o festival, se eles são proibidos de seguir em frente por conta de ação governamental”, disse Leavens. “Quaisquer licenças que tenham sido garantidas ou retiradas, quaisquer recursos que a cidade forneceria, seriam retirados… Eles não podem levar a culpa por isso.”

Há um argumento a favor do adiamento de festivais que encontra paralelo no que provavelmente aconteceu com o último filme de James Bond, No Time to Die, cujo lançamento foi adiado de abril para novembro. A decisão foi dispendiosa, dado o dinheiro gasto com divulgação até agora, mas os produtores devem recuperar no outono, quando os cinemas na China, o segundo maior mercado de cinema do mundo, devem estar abertos novamente. De maneira similar, os fãs de música podem estar mais inclinados a participar do Coachella em outubro, caso ele seja realmente adiado. 

Enquanto alguns artistas cancelaram ou adiaram turnês, casas de shows menores não parecem ter sido atingidas ainda. A diretora de comunicação da IMP, empresa que opera palcos em Washington, DC, Audrey Fix Schaefer, disse que eles aumentaram os esforços de higienização mas não tiveram de cancelar nenhum show ainda. Mas a situação está evoluindo, disse. É difícil prever como ela vai proceder.

“Veremos mais disso”, disse Chidekel. “Vai afetar os esportes, vai afetar - bom, o lance do James Bond, certo? É escandaloso. Essa é a ponta do iceberg.” / Tradução Guilherme Sobota

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Entenda por que o coronavírus é muito diferente da gripe espanhola de 1918

Foi uma doença tão terrível que aterrorizou as pessoas por gerações

Gina Kolata, The New York Times

10 de março de 2020 | 15h03

A pandemia de gripe de 1918, considerada a mais mortal da história da humanidade, matou pelo menos 50 milhões de pessoas em todo o mundo (o equivalente a 200 milhões hoje), sendo meio milhão delas habitantes dos Estados Unidos. O vírus se espalhou por todas as partes do mundo, afetando populações de países como Japão, Argentina, Alemanha e dezenas de outros países.

Talvez o mais alarmante é que a maioria dos mortos pela doença estava no auge da vida - geralmente entre 20, 30 e 40 anos - em vez de idosos ou pessoas com a imunidade enfraquecida devido a outras condições médicas.

À medida que o coronavírus se espalha pelo mundo e a preocupação das pessoas ao redor do globo aumenta, as comparações entre a situação atual e a pandemia de gripe espanhola de 1918 estão se proliferando nos meios de comunicação e nas mídias sociais.

No entanto, mesmo com a atmosfera de medo - com direito a máscaras cirúrgicas, armazenamento de alimentos e assembleias públicas sobre a prevenção da doença - e possíveis consequências econômicas semelhantes às de 1918, a realidade médica é bem diferente.

"Enfermeiras costumavam dar de cara com cenas que remetiam às dos anos da praga do século 14", escreveu o historiador Alfred W. Crosby em America's Forgotten Pandemic: The Influenza of 1918 (Pandemia esquecida pelos Estados Unidos: a gripe espanhola de 1918, em tradução livre). “Uma enfermeira encontrou no mesmo quarto o corpo do marido morto pelo vírus e a esposa com gêmeos recém-nascidos. Vinte e quatro horas haviam se passado desde a morte e o nascimento naquela família, e a esposa tinha comido apenas uma maçã que estava perto dela."

Em 1918, o mundo era um lugar muito diferente, mesmo sem a influência perturbadora da Primeira Guerra Mundial. Os médicos sabiam que existiam vírus, mas nunca haviam visto um - não havia microscópios eletrônicos, e o material genético dos vírus ainda não havia sido descoberto. Hoje, no entanto, os pesquisadores não apenas sabem como isolar um vírus, mas conseguem identificar sua sequência genética, testar medicamentos antivirais e desenvolver uma vacina.

Em 1918, era impossível testar pessoas com sintomas leves para que pudessem ser colocadas voluntariamente em quarentena. E era quase impraticável fazer o rastreamento do contágio pelo vírus, pois a gripe parecia infectar - e causar pânico em - cidades e comunidades inteiras de uma só vez. Além disso, havia pouco equipamento de proteção para os profissionais de saúde, e os aparelhos com respiradores, que podem ser usados por pessoas muito doentes devido ao coronavírus, não existiam.

Com uma taxa de mortalidade de casos de pelo menos 2,5%, a gripe de 1918 era muito mais mortal que a gripe comum, e tão infecciosa, que se espalhou amplamente e resultou em um número de mortes elevado.

Pesquisadores acreditam que a gripe de 1918 poupou as pessoas mais velhas porque elas tinham alguma imunidade a ela. Eles teorizam que décadas antes houve uma versão desse vírus, embora não tão letal, que se espalhou como uma gripe comum. Os idosos de 1918 teriam sido expostos a essa gripe e desenvolveram anticorpos. Quanto às crianças, a maioria das doenças virais - sarampo, varicela - são mais mortais em adultos jovens, o que pode explicar por que os mais jovens foram poupados na epidemia de 1918.

Independentemente do motivo, foi um desastre para a expectativa de vida, que despencou. Em 1917, ela era de 51 anos nos Estados Unidos. A marca foi repetida em 1919, mas, em 1918, era de apenas 39 anos.

O novo coronavírus tende a matar pessoas mais velhas e pessoas com imunidade afetada por condições médicas, mas parece não matar crianças. Tudo isso significa que terá muito menos efeito, se houver algum, na expectativa de vida.

Quanto à taxa de mortalidade dos casos de coronavírus, ela ainda não é conhecida, mas os dados mais recentes da Coreia do Sul, com 7.478 infecções confirmadas, mostram um quadro semelhante ao da gripe sazonal. Depois de testar 100.000 pessoas para saber se estavam ou não contaminadas com o vírus, o país parece ter uma taxa de mortalidade de 0,65%.

O que a situação atual tem em comum com 1918, porém, é o teor da preocupação pública.

Entre os primeiros lugares em que a gripe de 1918 foi identificada, está a instalação militar do exército americano, Fort Devens, perto de Boston. Havia tantos jovens soldados doentes e morrendo que o cirurgião-geral dos Estados Unidos, maior autoridade da saúde pública do país, enviou quatro dos principais médicos especialistas naquele momento para investigar o que acontecia.

Um deles, William Vaughan, lembrou mais tarde: “Centenas de jovens robustos, vestindo o uniforme de seu país, entravam nas enfermarias do hospital em grupos de 10 ou mais. Eles eram colocados nos leitos até que todas as camas estivessem cheias, e, mesmo assim, muitos acabavam se amontoando nelas. Os rostos deles logo passavam a exibir um tom azulado e tossiam dolorosamente até expectorarem o catarro manchado de sangue. De manhã, os cadáveres eram empilhados no necrotério como se fossem pilhas de madeira."

Relatos como esses apavoraram profundamente os americanos

Em 3 de outubro de 1918, a Filadélfia fechou todas as escolas, igrejas, teatros, piscinas públicas e outros espaços públicos de encontro. As funerárias ficaram sobrecarregadas - algumas inflacionaram tanto os preços que familiares passaram a enterrar com as próprias mãos os parentes mortos.

Em Tucson, no Arizona, o conselho de saúde proibiu as pessoas de saírem às ruas sem usar máscara. Em Albuquerque, Novo México, onde escolas e teatros foram fechados, um jornal local escreveu: "o fantasma do medo perambula por toda parte".

Ações semelhantes estão sendo tomadas hoje. Seattle fechou algumas escolas públicas. O festival de cultura e tecnologia SXSW, também conhecido como South by Southwest, em Austin, no Texas, foi cancelado. A Apple pediu que os funcionários trabalhassem de casa. Mais de 2.700 pessoas estão sob algum tipo de quarentena na cidade de Nova York. E algumas lojas da rede de varejo Costco estão enfrentando dificuldades em manter água engarrafada em estoque.

Mas até o presente momento, a epidemia anual da gripe sazonal está se mostrando muito mais devastadora do que o coronavírus nos Estados Unidos.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) informa que houve pelo menos 34 milhões de infectados com gripe durante os últimos meses, 350.000 hospitalizações e 20.000 mortes. Esses óbitos incluem 136 crianças, quase 10 vezes mais o número de mortes de adultos causadas pelo coronavírus. / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA.

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O festival SXSW, de cultura e inovação, teve sua edição anual em Austin cancelada pelos organizadores  REUTERS/Sergio Flores

O impacto do novo coronavírus na cultura: cancelamentos e prejuízo

Eventos culturais, como festivais de música e feiras literárias, e locais, como museus e espaços de exibição, foram fechados ou cancelados para evitar a aglomeração de pessoas

Redação , O Estado de S. Paulo

Atualizado

O festival SXSW, de cultura e inovação, teve sua edição anual em Austin cancelada pelos organizadores  REUTERS/Sergio Flores

O cancelamento do festival South By Southwest, em Austin, nos EUA, se junta à lista de eventos impedidos de serem realizados por conta da ameaça do novo coronavírus.

O vírus que surgiu na China no fim do ano passado já chegou a mais de 86 países, segundo a Organização Mundial da Saúde, ultrapassa o número de 3,2 mil mortes e registra mais de 98 mil infectados. Apesar de ter uma grande capacidade de contágio, a letalidade do coronavírus não é considerada alta e, segundo o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS), não há motivo para pânico. 

Mesmo assim, diversos eventos culturais, como festivais de música e feiras literárias, e locais, como museus e espaços de exibição, foram fechados ou cancelados para evitar a aglomeração de pessoas.

Na Coreia do Sul, o grupo de k-pop BTS cancelou quatro shows que faria em abril. A Art Basel Hong Kong, maior feira do setor na Ásia, teve sua oitava edição cancelada.

Na Europa, o Salão do Livro de Paris, principal feira do gênero na França e realizado anualmente, e a Feira do Livro de Londres também fecharam os planos para este ano. A Bienal de Arquitetura de Veneza, considerado o maior evento mundial do setor e que estava prevista para maio, será adiada para agosto.

A estreia do próximo filme da saga de James Bond, 007 - Sem Tempo para Morrer, foi adiada de abril para novembro.

No Brasil, o Instituto CPFL emitiu comunicado informando que vai cancelar sua programação prevista para os meses de março e abril, em sua sede, em Campinas, para evitar a disseminação do vírus.

Arraste essa notícia para baixo para conferir uma lista de cancelamentos na área da cultura por conta do novo coronavírus.

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Jorge Drexler troca show por live no Facebook por causa do novo coronavírus

Canto, que ganhou um Oscar em 2005, iria realizar duas apresentações na Costa Rica, mas elas foram adiadas para evitar aglomeração de pessoas

João Pedro Malar*, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2020 | 17h14

Com o aumento dos casos de transmissão do novo coronavírus ao redor do mundo, tem crescido também o cancelamento de shows, conferências e outros eventos, para evitar a aglomeração de pessoas. O cantor Jorge Drexler, porém, encontrou um meio criativo para substituir um concerto adiado devido à pandemia: a realização de uma transmissão ao vivo no Facebook no horário do evento.

Drexler, cantor e compositor uruguaio que ganhou o Oscar de Melhor Canção Original em 2005 com Al Otro Lado Del Rio, iria realizar duas apresentações no Teatro Melico Salazar, na Costa Rica, uma na terça-feira, 10, e outra na quarta-feira, 11. Ambas foram adiadas, no dia 10, para agosto de 2020.

Como alternativa, Drexler fez uma publicação horas antes do concerto avisando aos seguidores que realizaria um vídeo ao vivo no Facebook para substituir a apresentação, e também pediu para que as pessoas fossem sugerindo, durante a live, músicas para ele tocar. A apresentação foi feita no próprio Teatro Melico Salazar no horário combinado, com uma plateia vazia ao fundo e Drexler no centro do palco.

“O que estão vendo é o Teatro Melico Salazar, na Costa Rica. A esta hora estaríamos começando um concerto, as entradas estavam vendidas há muito tempo, se esgotaram em uma hora para o show de hoje e em algumas horas para o de amanhã, mas por razões que vocês conseguem imaginar tivemos que adiar o concerto”, comentou Drexler no início da live. 

No mesmo dia em que os concertos foram adiados, já na Costa Rica, Jorge Drexler publicou no Instagram um vídeo em que mostra uma canção composta nesta terça-feira, 10, sobre os efeitos da expansão do novo coronavírus nas relações entre as pessoas. “A paranoia e o medo não são, e não serão, o modo de sairmos juntos [da pandemia]”, diz um trecho da música.

*Estagiário sob supervisão de Charlise Morais

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