''Falar em boicote é sacanagem''

Profissionais contestam culpa pelo fracasso de revelação

Cristina Padiglione e Keila Jimenez, O Estadao de S.Paulo

14 de maio de 2009 | 00h00

Profissional que integrou a equipe de direção de mais de 20 novelas no SBT, Henrique Martins enumera uma série de argumentos para contestar a tese de que a novela Revelação, de Íris Abravanel, sofreu boicote de sua equipe de produção.Segundo o que um alto executivo do SBT disse ao Estado, uma pesquisa interna teria eximido a mulher do patrão de responsabilidade sobre o fracasso de audiência da trama. Por esse raciocínio, a culpa seria da equipe de produção, que teria "boicotado" a novela, o que motivou a demissão de cerca de 70 funcionários do núcleo de teledramaturgia - e não 20, como foi dito neste espaço no dia 24/04."Dizer que houve boicote da produção é uma grossa safadeza", defende Martins, que fala como porta-voz de boa parte dos profissionais dispensados desde a chegada de Del Rangel à direção da teledramaturgia do SBT. "Ninguém aqui é louco, não faria sentido boicotar justamente a novela do patrão. Ao contrário: como era dela, todos nos empenhamos mais que o normal para apresentar uma boa qualidade", completa."Ela esteve na cidade cenográfica, acompanhou as gravações e, na época, disse que estava muito satisfeita", argumenta a produtora Carmen Bussana, ao lado de Martins, dos também diretores Jacques Lagoa, Annamaria Dias, do cenógrafo João Nascimento e da diretora de arte Denise Dourado."É normal que um novo diretor queira formar sua equipe, o que não se pode admitir é que esse grupo, que fez várias novelas na emissora, algumas até com ibope inferior a Revelação, seja agora acusado de boicote", defendem Lagoa e Dias.Além disso, argumentam, foi opção da emissora gravar a novela inteira antes de levá-la ao ar. Isso tornou qualquer pesquisa de público sem efeito: não havia como ajustar eventuais defeitos com o folhetim todo gravado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.