Fagner mostra seu maior show

Cantor lança DVD do espetáculo que reuniu 40 mil pessoas

Roberta Pennafort, RIO, O Estadao de S.Paulo

15 Agosto 2008 | 00h00

Ao subir ao palco montado ao ar livre no Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza, na noite de 28 de janeiro de 2000, Fagner avisou o público: "Estamos fazendo uma gravação e a voz de vocês é da maior importância. Podem cantar à vontade!" O cantor cearense não sabia que não apenas o coro estava sendo registrado, mas também as imagens do mar de gente que se juntou para, com ele, lembrar sucessos de 35 anos de carreira: Canteiros, Deslizes, Borbulhas de Amor, Espumas ao Vento, Noturno, Fanatismo, Revelação... O CD ao vivo foi lançado ainda em 2000; oito anos depois, sai o DVD. Isso graças à filmagem feita, por conta própria, pelo cineasta do Ceará Rosemberg Cariri (o diretor de Corisco e Dadá). No making of, uma entrevista atual lembra o clima de euforia dos bastidores. "Esperávamos 15 mil pessoas, mas só no campo de visão do palco tinha 40 mil", revela o produtor José Milton. "O que sinto nas imagens é que foi uma surpresa pra gente. E quando a gente vê aquilo vem a mesma emoção de novo." Fagner que o diga. Ao fim da última música, Pedras Que Cantam, comovido, ele se declarou: "Esta foi a noite mais linda da minha vida!" O arrepio veio logo no início da apresentação, na primeira frase de Sinal Fechado. Bastou o "Olá, como vai?" da música de Paulinho da Viola para a massa ovacioná-lo. "Foi a primeira vez que tremi no palco. Veio uma emoção, um negócio que nunca tinha sentido num palco de forma alguma", disse ao Estado, na semana passada. Justifica-se: aquele foi o maior show de sua vida. Tinha gente até nos quarteirões vizinhos ao Dragão do Mar. No DVD, muito mais claramente do que no CD, percebe-se uma platéia animadíssima, que conhecia todas as músicas e o saudava como dono do pedaço. "O público se sentiu prestigiado pelo fato de o show ser no Ceará, e não no Rio (cidade em que chegou em 1971, depois de largar a faculdade de arquitetura) ou em São Paulo. Fiz questão de ir para lá por causa da relação com minha terra. Foi uma coisa bairrista mesmo." Na época, a intenção era lançar o CD ao vivo com uma nova gravação de Canteiros, a bela canção de seu primeiro LP, Manera Fru Fru, Manera (1973), que pega emprestado versos de Cecília Meireles (ele ficou proibido de registrá-la durante anos por conta de uma briga na Justiça com as filhas da poetisa; somente em 1999 a Sony conseguiu firmar acordo com elas). O DVD tem ainda outros sucessos, como Jura Secreta, Asa Partida, Mucuripe e Guerreiro Menino, além de Gonzagão (A Vida do Viajante, Riacho do Navio) e Vital Farias (Ai Que Saudade D?Ocê). O CD vendeu mais de 700 mil cópias. "Naquela época não havia essa pirataria toda, não tínhamos um ministro Pôncio Pilatos, que, como artista, deveria trabalhar mais contra a pirataria e se engajar para baixar o preço do disco. Ele já vai tarde", disse, em mais uma crítica ao agora ex-ministro da Cultura Gilberto Gil.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.