Fabrica está em busca dos olhares do mundo

Trabalhos brasileiros e internacionais integrarão a exposição Les Yeux Ouverts, que faz apanhado do melhor da produção do laboratório de criação da Benetton

Flávia Guerra, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2022 | 00h00

Olhos abertos para o mundo. Mas não o mundo globalizado das campanhas publicitárias enfadonhas. Olhos abertos para o que cada cultura e cada povo mantém de mais autêntico em um mundo cada vez mais pasteurizado. Assim pode ser definida a forma de olhar, conceber e retratar o mundo dos criadores da Fabrica, o laboratório de criação que a Benetton mantém há mais de uma década. Além de, claro, campanhas publicitárias memoráveis, a Fabrica criou conceitos e obras em todas as áreas em que trabalham os jovens bolsistas, que têm na sede da empresa, em Treviso, no norte da Itália, o cenário perfeito para experimentar e criar. O resultado de todos estes anos pode ser conferido na exposição Les Yeux Ouvert, que já ocupou no ano passado o Centro Pompidou, em Paris, participou da Triennale de Milão e aporta em Xangai, na China, em outubro.Mais que a criação da Fabrica, a equipe resolveu agregar ao acervo da exposição trabalhos de artistas profissionais e não-profissionais de todo o mundo. Uma Colors (a revista publicada pela Fabrica) em branco é o ponto de partida. ''''Cada criador tem total liberdade para fazer o que quiser. Se quiser picotar, escrever nas páginas, colar fotos, panos, pintar. O importante é se comunicar. Queremos ouvir o que as pessoas têm a dizer'''', conta Alfio Pozzoni, o diretor da Fabrica e responsável pela seleção geral dos trabalhos.O Brasil enviou sete trabalhos dos mais variados criadores. A lista inclui o cenógrafo e diretor de arte Pier Balestrieri, o publicitário Lisias Paiva, o designer e professor Elcio Sartori, a designer e arquiteta Vanessa Peretti, a jovem Erica Tabata, que é membro do Rotary Club Liberdade, a equipe da Associação Arte Despertar e a turma de jovens criadores da Associação Cidade Escola Aprendiz. ''''Ainda não fechamos a seleção, mas é possível já dizer que o brasileiro quer se comunicar, dizer quem é. E é exatamente isso que queremos'''', comenta Pozzoni.Os Colors Notebooks selecionados entrarão para o acervo da Les Yeux Ouverts e viajarão ainda neste ano para o Japão. Em 2008, os planos são de trazer a mostra para Buenos Aires e Brasil. O diferencial da Colors e de outros destaques da exposição é que a arte é essencialmente interativa. Os notebooks serão pendurados para que possam ser manuseados, lidos, folheados. ''''A arte precisa ser tocada. Contamos com a curadoria dos especialistas do Pompidou não só para conceber a Les Yeux Ouverts mas também para selecionar os trabalhos que entrarão para o acervo'''', informa Pozzoni. Outra diferença, entre as tantas boas diferenças na forma que a Fabrica trabalha a arte, é que não há prazo para o envio dos Notebooks. ''''Assim como os jovens que querem entra para equipe podem se inscrever o ano todo, também recebemos as revistas o tempo todo. E as que não entrarem para a exposição, entram para o nosso acervo, que também vai constar no nosso site (www.fabrica.it). São, antes de tudo, o testemunho de um tempo.''''

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