Fábio Barros e o seu ''não-gênero''

Vencedor de dois festivais neste ano, compositor e violonista toca suas canções elaboradas na Mó! - Movimentação Musical

Lauro Lisboa Garcia, O Estadao de S.Paulo

06 de dezembro de 2008 | 00h00

O compositor e violonista Fábio Barros ganhou boa exposição depois de vencer, por escolha unânime do júri presidido por Dante Ozzetti, o festival da 2ª Semana da Canção Brasileira em São Luiz do Paraitinga, em setembro. Apresentando-se só com seu violão, mostrou ali uma evolução do material gravado no primeiro CD com o Grupo Grão, Circo de Pulgas (Cooperativa de Música), e adiantou duas canções do próximo, que sai em 2009. Uma delas era Esse Silêncio, com a qual venceu também o Festival de Ilha Grande. No show que faz hoje no no Centro Cultural B_Arco, Barros dá outro passo adiante, mesclando temas dos dois trabalhos e do próximo projeto de viola-solo.Chamou a atenção o fato de Ozzetti ter dito em Paraitinga que a principal qualidade de seu trabalho "é que no contexto da composição ele já indica todas as soluções de arranjo também, como Zé Miguel Wisnik, Tom Jobim". "Ele citou dois compositores de pensamento pianístico e esse tipo de pensamento não é muito comum para quem toca violão, que é um instrumento mais complexo nesse sentido de encaminhamento de voz e de arranjo", diz Barros.Bacharel em violão, ele se formou em 2007 pela Faculdade Santa Marcelina, onde "o grosso do repertório é Villa-Lobos, Garoto", o que sempre o interessou muito. "No cancioneiro de violão popular, tem muita gente que se distancia disso. E acaba ficando a harmonia e a melodia uma coisa só, diferentemente do violão-solo." Para ele, quem resolve bem essa questão é Guinga, uma de suas referências de compositores relacionados a violão. O outro é Lenine. "São dois opostos, mas de características muito fortes."Como os dois, além do violão, Barros se destaca por reunir qualidades no casamento de letra e melodia, no encontro entre "som e sentido", que ele aponta na obra de Chico Buarque. "Uma das minhas críticas a certo gênero de canção que parte muito do instrumento é o problema da prosódia. A sonoridade das palavras às vezes não fica natural na melodia. Alguns compositores gostam mais da questão musical. Pra mim é meio a meio, se é canção, a letra é tão importante quanto a melodia."Transitando por ritmos variados, samba incluído, Barros diz que sempre procurou trabalhar "o não-gênero". Sua música agora caminha para soluções em que quanto menos instrumentos tiver, melhor para valorizar seu violão. O grupo que o acompanha, de sexteto virou quinteto e agora, trio. Além dele, que cada vez mais se interessa pela viola, ficaram Bruno Prado (percussão) e João Taubkin (baixo).O show de hoje faz parte da 9ª edição da Mó! - Movimentação Musical, criada por ele com Manu Maltez e Ivo Ursini. O evento reúne músicos e escritores "em espírito de colaboração mútua", mostrando trabalhos autorais em que a liberdade e o ineditismo de formatos são as normas. ServiçoFábio Barros e Grupo Grão. Centro Cultural B_Arco. Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 422, Pinheiros, 3081- 6986. Hoje, 19h30. R$ 5

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