Fabiana Cozza evoca os orixás em Quando o Céu Clarear

Intérprete apresenta em dois espetáculos seu novo álbum, uma declaração de esperança de que ''''o Brasil vai se reerguer''''

Livia Deodato, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2014 | 00h00

Fabiana Cozza pediu licença aos orixás e colocou o pé no terreiro. Desde quando finalizou o seu primeiro álbum, O Samba É Meu Dom, em 2004, esteve atenta ao chamado dos tambores e foi reunindo, aos poucos, todas as canções desse universo que tocavam a alma, para assim apresentar numa próxima compilação. Pois é chegada a hora de mostrar o resultado desse trabalho, amanhã e domingo, no Sesc Pinheiros, que tem o singelo título Quando o Céu Clarear, homônimo à canção inédita com que o baiano Roque Ferreira a presenteou.  Ouça trecho da faixa Quando o Céu Clarear ''''Procurávamos por um nome para esse segundo disco, pois acho mais fácil chegar até as pessoas com um conceito. Foi meu amigo Marcelino Freire quem deu a dica e eu adorei, pois Quando o Céu Clarear tudo vai melhorar, as pessoas vão sambar, não vai haver violência, o Brasil vai se reerguer'''', sentencia. Aliás, de Roque Ferreira, que já compôs para Maria Bethânia, Martinho da Vila e Beth Carvalho, entre tantos outros, Fabiana também escolheu as inéditas Ponto de Nanã e Incensa, que abre o novo álbum. Só pelos nomes das canções você já pode ter uma idéia das boas energias que a cantora pretende retransmitir ao público.''''Eu abro o disco ''''incensando'''' as pessoas e vou fechá-lo falando de um Brasil lindo, que é religioso, sagrado, de festa, de samba, de comidas maravilhosas, pensado por Aldir Blanc, João Bosco e Paulo Emílio.'''' Ela se refere à clássica Nação, o hino nacional transvestido de samba, que presta homenagem às nossas referências, mais verde-e-amarelas impossíveis, de Dorival Caymmi e Silas de Oliveira a Oxum e o Uirapuru.Dona Ivone Lara também está presente no repertório pensado pela intérprete de voz potente e que tem arranjos e direção musical de Marcos Paiva. São elas: Doces Recordações (em parceria com Délcio Carvalho) e Tendência (com Jorge Aragão), que só poderiam dar ainda mais sabor ao novo álbum. ''''Tendência faz parte da memória da minha infância. Eu ouvia e chorava.'''' Fabiana tem o aval de uma das maiores compositoras do Império Serrano. Prova disso é que a sambista de 86 anos vai marcar presença nos dois shows para oferecer sua bênção à intérprete. Perdoe o trocadilho, mas como bem diz outra canção presente no novo álbum, de autoria de Gerônimo e Vevé Calazans, Fabiana só tem de Agradecer e Abraçar...Canto de Ossanha ganhou nova roupagem com a participação do cubano Julio Padrón no trompete e na inserção de vozes na introdução da canção. Se a interpretação visceral de Fabiana já surpreendia, imagine agora com o toque latino sobreposto à tocante canção de Baden Powell e Vinicius de Moraes. Outro cubano, o pianista Yaniel Matos, também chega para somar em Xangô te Xinga, do paraense Leandro Medina (presente no primeiro álbum de Fabiana com Valeu, Clementina). É união de todos os orixás.Serviço Fabiana Cozza. Sesc Pinheiros. Rua Paes Leme, 195, Pinheiros, 3095-9400. Amanhã, 21 h; dom., 18 h. R$ 7,50 a R$ 15

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.