Ernesto Rodrigues/Estadão
Ernesto Rodrigues/Estadão

Exposição traz panorama de 100 anos de arte belga para São Paulo

Mostra em cartaz no Centro Cultural Fiesp traz obras da Coleção Simon, que percorrem períodos desde o impressionismo até o abstracionismo

Pedro Rocha, Especial para o Estado

08 Abril 2018 | 06h00

“Fica melhor aqui do que no meu apartamento.” O comentário é de uma bem-humorada Françoise Simon, proprietária de uma vasta coleção que chega ao País como a exposição 100 Anos de Arte Belga – Do Impressionismo ao Abstracionismo no Centro Cultural Fiesp, em São Paulo, até 10 de junho.

A vinda da Coleção Simon ao País é um desejo de Françoise de retomar o projeto iniciado por seu marido, o engenheiro alemão Heinrich Simon, interrompido após a sua morte, em 2011. Até então, a coleção, adquirida pelo casal ao longo de 30 anos, já havia viajado pela Europa, América do Norte e pelo Japão. O Brasil, portanto, é o primeiro país da América Latina a receber a coleção e ainda o primeiro destino desde a morte de Simon. “Para ser honesta, o Brasil nunca passou pela minha mente”, confessa Françoise ao Estado, um dia após ter visitado a instalação na Fiesp pela primeira vez. “Mas agora que estou aqui, estou muito feliz com o que foi feito.”

Aos cuidados da galeria de Patrick Derom, em Bruxelas, com a curadora Laura Neve, a coleção chamou a atenção de Cristina Barros-Greindl, coordenadora-geral da mostra na Fiesp, ao lado de Patrícia Galvão, que já tinha vontade de trazer uma mostra sobre arte belga. “Queria trazer uma exposição desse período rico da arte belga e a Laura falou que estava com a coleção da senhora Simon”, explica Cristina. 

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Para o Brasil, Laura fez uma curadoria mais didática, para aproximar o público da arte belga moderna, não tão difundida no País. Para isso, ela escolheu 69 obras, das mais de 90 da coleção, que contemplam 37 artistas. Além disso, separou em cinco categorias, que não são, necessariamente, cronológicas. “A exposição é um pouco pedagógica, então mesmo quem não conhece muito bem a arte belga, pode entender a evolução”, explica Laura. “Os temas permitem uma forma mais viva e instintiva de compreender, e não apenas histórica.”

Temáticas. A seleção começa com a seção Vida e Luz, que compreende obras do chamado “luminismo belga”, semelhante ao pontilhismo francês. Emile Claus, James Ensor e Théo Van Rysselberghe são alguns dos nomes presentes. “São obras que reproduzem a luz do dia, de forma natural, com pessoas comuns que viviam em Flandres.”

A exposição continua com Realidades Alternativas, que traz obras de Jos Albert, Jean Brusselmans e mais Ensor, que incorporam períodos belgas de fauvismo e simbolismo. “São cenas simples, naturezas-mortas, interiores, mas o uso de cor era muito novo, utilizado com muita liberdade.” Entre Engajamento e Escapismo pode ser, talvez, a mais badalada seção da exposição, por conter obras dos surrealistas René Magritte e Paul Delvaux. Explora, de acordo com Laura, o desejo de fugir da realidade moderna e industrial da época da Primeira Guerra Mundial. “Em suas diferentes correntes, os artistas buscavam escapar da realidade, mas de uma forma engajada com temas e causas sociais, principalmente por conta da crise da época.”

As duas últimas seções, Da Natureza ao Poema Pictórico e No Rigor, falam do abstracionismo belga. A curadora explica que a divisão é para abordar duas correntes, uma com ligação com a natureza e outra que se afasta da realidade. “Esta última quer enfatizar formas e cores, a pintura, em si mesma, numa língua mais universal.”

A curadora, belga, demonstra empolgação. “É raro ter uma coleção privada que permita mostrar a evolução e o panorama da arte de um país”, elogia. “É uma grande oportunidade.”

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