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Mostra traz duplas de artistas com afinidades na pintura e gravura

Exposição abre nesta terça-feira na Galeria Mezanino

Antônio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

20 Outubro 2015 | 03h00

Como no romance de Goethe, As Afinidades Eletivas, o esquema de montagem das duas exposições que a Galeria Mezanino abre hoje, com curadoria de Renato De Cara, privilegia os pares. Frutos da Dinamarca reúne paisagens feitas no país nórdico por Francisco Maringelli e Sergio Kal durante uma residência artística. Estandartes e Fábulas junta os amigos Claudio Mubarac e Ulysses Bôscolo, ligados à linguagem da gravura. A diferença é que, ao contrário do livro de Goethe, não há conflitos na mostra, só afinidades, embora a representação metafórica da atração química dos elementos explorada pelo romancista alemão possa, de certo modo, ser aplicada no caso dos dois gravadores, o mestre (Mubarac) e o ex-aluno (Bôscolo).

Bôscolo admite que, de tanto conhecer o repertório de Mubarac, acabou incorporando algumas figuras de seu imaginário, entre elas o crânio, que se tornou a marca registrada de seu professor. E, justificando o termo fábula do título da exposição, o protagonismo das gravuras de ambos pertence aos animais e objetos inanimados. No caso de Mubarac, ele passou a ter sonhos recorrentes em que surgia como um monge construindo estandartes. Ao despertar, passou a executá-los, usando papéis de procedência asiática - e não se pode esquecer que também a fábula teve sua origem no Oriente. Ele imprimiu sobre esses papéis gravuras antigas e atuais, cruzando linguagens de diferentes épocas. Em outra série, chamada Sobre os Ícones, Mubarac usa impressões em chapas de chumbo com folhas de ouro e prata, reforçando o aspecto onírico das duas “suítes”, como chama as séries.

Na série Os Olhos da Montanha encontram o Sol, Bôscolo recorre à popular técnica da xilogravura (em papel Kozo) e a estojos/álbuns de madeira para construir uma narrativa fabular de grande impacto visual. São dele as ilustrações da edição de Os Irmãos Karamazov, de Dostoievski, publicada pela Editora 34, na melhor tradição de Goeldi, aspecto facilmente reconhecível diante das gravuras da exposição, que retrata árvores, revoadas de pássaros, crânios e figuras mitológicas.

Na segunda sala da galeria Mezanino, a ligação dos artistas com a tradição histórica prossegue. Francisco Maringelli e Sergio Kal passaram uma temporada em Gludsted, uma cidadezinha charmosa da Dinamarca com pouco mais de 300 habitantes e casas de cores fortes. Maringelli fez paisagens em acrílica que remetem aos gestos vigorosos e expansivos dos expressionistas alemães - vínculo tão ou mais notável na única gravura que expõe ao lado das pinturas. Sergio Kal, também conhecido por seus desenhos e gravuras, usou pastel seco para retratar a região. O radar pictórico de Kal estava sintonizado com um dos melhores paisagistas dinamarqueses do século passado, Erik Raadal (1905-1941), cuja composição de traços sintéticos e cores puras traduziu a beleza dos pequenos vilarejos da Dinamarca. Tanto Maringelli como Sergio Kal optaram por uma pintura de execução rápida no verão nórdico. O resultado desse trabalho de observação da dupla é primoroso.

FRUTOS DA DINAMARCA/ESTANDARTES E FÁBULAS

Galeria Mezanino. Rua Cunha Gago, 208, tel. 3436-6306. 3ª a 6ª, 11h/19h. Grátis. Até 14/11. 

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