Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Exposição sobre Seydou Keïta mostra sua trajetória pessoal e história recente do Mali

Mostra no IMS Paulista vai até 29 de julho

Pedro Rocha, Especial para O Estado

20 Maio 2018 | 06h00

Em meio a tantos centros culturais na Av. Paulista, em São Paulo, a sede do Instituto Moreira Sales é um dos grandes pontos de parada para amantes de fotografia contemporânea. Desde que abriu, no ano passado, já recebeu mostras de Robert Frank, Chichico Alkmim e Mauro Restiffe, além de uma sobre Seydou Keïta, fotógrafo do Mali, em cartaz no momento, que segue até 29 de julho.

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“Faz parte de um esforço do IMS de ir, modestamente, montando um painel da fotografia contemporânea e do século 20”, explica o coordenador executivo cultural do IMS, Samuel Titan Jr., que fez a curadoria da exposição de Keïta ao lado do francês Jacques Leenhardt, diretor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris. Foi na cidade que o fotógrafo, nascido no então Sudão Francês, foi descoberto, já nos anos 1990 – morreu em 2001. Seu trabalho, porém, data de antes. Começou nos anos 40 e seguiu, inicialmente, até a década de 60, após o Mali conquistar a independência e Keïta começar um trabalho no governo, socialista.

O trabalho artístico resultou em milhares de imagens, cujos negativos foram conservados pelo fotógrafo até mesmo após sua aposentadoria, em 1977. “Queríamos que a exposição contasse de forma imediata a história das obras do próprio Keïta, redescoberta nos anos 1990”, conta Titan. O foco principal, porém, é uma contextualização do Mali no entorno de sua independência, em 1960, e os anos que seguem. “Há uma história social em curso ali, a descolonização, o peso da nova administração”, esclarece o curador. “Depois, vem a transformação na vida do país, que entra em contato de maneira abrupta com a modernidade.” 

A exposição reúne 130 obras de Keïta, que era autodidata, incluindo mais de 40 tiragens vintage, em formato de 18x13 cm, ampliadas e comercializadas pelo próprio fotógrafo e inéditas no Brasil. As demais obras, ampliadas na França sob a supervisão de Keïta na década de 90, quando seu trabalho é descoberto por galerias, têm formatos mais clássicos, com 40x50 cm ou 50x60 cm, e ainda murais de 1,80x1,30 m. “A produção fotográfica se expandiu muito rapidamente e há produções muito importantes em toda parte do mundo, coisas pedindo para ser descobertas, na África, China, Índia”, analisa Titan. “Para descobrir essas coisas, é preciso tentar romper com o eixo muito estreito que nos faz descobrir tudo pelos EUA ou pela Europa.”

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