SRBM/Iphan/MinC
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Exposição no MuBE traz um Burle Marx pouco conhecido

Arquiteto paulistano ganha mostra 'Arte, Paisagem e Botânica' com cerca de 70 trabalhos, que passam por pintura, design e até mesmo por expedições científicas 

Pedro Rocha  , Especial para o Estado de S. Paulo

28 de dezembro de 2018 | 14h43

O arquiteto paulistano Roberto Burle Marx (1909-1994) é um dos nomes mais reconhecidos mundialmente por seus trabalhos com paisagismo. Mas uma exposição no Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MuBE), que já está em cartaz, apresenta trabalhos pouco conhecidos do artista. O MuBE fica na Rua Alemanha, 221, tel. 2594-2601.

Intitulada Burle Marx – Arte, Paisagem e Botânica, a mostra, com curadoria de Cauê Alves, se divide justamente nesses três núcleos. Ao todo, são cerca de 70 trabalhos, que passam por pintura, design e até mesmo por expedições científicas. 

Mesmo dentro da arte, por exemplo, Marx se desdobrou por estilos e técnicas variadas. Trabalhou com desenhos, pinturas, esculturas e tapeçarias, que passam pelo realismo figurativo e pela abstração informal. 

Numa das passagens menos divulgadas de sua vida profissional, a botânica, o artista multifacetado mostrou seu lado explorador, com viagens e expedições pelo Brasil, que renderam a descoberta de 35 espécies de plantas. Na mostra do MuBE, desenhos, exsicatas (amostra de planta prensada em uma cartolina) e fotografias assinadas por Burle Marx são apresentadas, junto com trabalhos de outros pesquisadores contemporâneos, para revelar esse lado do arquiteto. 

“Queremos chamar a atenção para os mais diversos atributos de Burle Marx, mas sem um tom de retrospectiva”, garante também o curador da exposição em comunicado. “Ao contrário, trazemos ao público singularidades pouco exploradas de um artista de múltiplas capacidades. Sem dúvida alguma, o paisagismo foi sua grande contribuição para o mundo, mas ele foi muito mais do que um grande paisagista.”

Para Alves, um lado interessante desse trabalho de Marx é o fato de ele ter se antecipado às conversas de preservação da natureza brasileira. “Ele é um personagem que tem uma relação muito forte com o campo da ciência. Foi militante pelas causas ambientais quando essa não era ainda uma pauta da sociedade brasileira”, afirma ainda em nota à imprensa, relembrando que o arquiteto se posicionou, na década de 1970, contra a derrubada de árvores para a construção de estradas pelo País.

Mas o núcleo que completa a exposição traz Burle Marx no seu mais famoso hábitat, o paisagismo. O maior destaque é a remontagem do mosaico de pedras, provisória e em vinil, do primeiro estudo feito por ele para o jardim do próprio MuBE, do qual foi o responsável pelo projeto paisagístico do espaço externo.

O curador reforça, no comunicado, que não só o trabalho de Marx cria um diálogo com o prédio do museu, idealizado por Paulo Mendes da Rocha, como uma comunicação entre cidade e natureza, uma constante em seu trabalho. “Paulo Mendes da Rocha e Burle Marx, a quem coube a questão da ecologia do MuBE, idealizaram um museu integrado com o bairro, que já é um jardim, o Jardim Europa”, diz Alves. “Ele integra o projeto justamente com a ideia de dar conta desse aspecto que está na origem da instituição.”

Uma feliz coincidência da exposição é que o MuBE fica em frente da antiga residência da colecionadora de arte Ema Klabin, casa da qual foi o responsável por projetar o jardim. Hoje, o espaço faz parte de uma fundação que leva o nome de Ema e que serve como centro cultural. Durante a nova mostra de Burle Marx, a casa de Klabin vai servir como uma extensão do evento. 

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