Behrouz Mehri/AFP
Behrouz Mehri/AFP

Exposição em Tóquio que permitia roubo de obras durou dez minutos

Os organizadores esperavam que a mostra durasse 10 dias e disseram que se tratava de um experimento para transformar a relação entre artistas e público

Miwa Suzuki, AFP

13 de julho de 2020 | 08h03

Uma galeria de arte de Tóquio sugeriu que os visitantes "roubassem" as obras que quisessem, e, por conseguinte, a exposição durou apenas 10 minutos. Como para muitos a cultura era o de menos, boa parte do recolhido acabou em sites de leilão. 

Os organizadores acharam que o evento seria bastante confidencial, mas as informações se espalharam rapidamente pelas mídias sociais.

Logo, quase 200 pessoas compareceram à abertura do evento, pouco antes da meia-noite da última quinta-feira, 9. 

Os "malfeitores" foram tão eficazes que a exposição ficou esvaziada de suas obras em menos de dez minutos. A intenção era que durasse dez dias. 

Havia tanta gente que a polícia teve que ir ao local, onde os organizadores esclareceram qualquer mal-entendido. Roubar era permitido.

Essa exposição funcionaria como um "experimento", supostamente para transformar a relação entre artistas e o público, segundo Tota Hasegawa, promotora do projeto, contou à AFP. 

Yusuke Hasada, de 26 anos, conseguiu se apossar de uma nota emoldurada de 10.000 ienes (cerca de US$ 93), que fazia parte da instalação "My Money", do artista Gabin Ito.

Ele chegou uma hora antes do horário previsto para a abertura. O jovem, um dos poucos que não saiu de mãos vazias, posicionou-se estrategicamente em frente à entrada da galeria.

"Quando eles (os organizadores) anunciaram que abririam antes, todos atrás de mim se apressaram para entrar. Eu quase caí", relatou Hasada à AFP. "Foi aterrorizante", acrescentou. 

O jovem diz que quer guardar o objeto para decorar o apartamento. 

Já outros mostraram ter outros interesses: poucas horas após o "roubo", vários itens da exposição já estavam à venda nos sites de leilão, às vezes a preços de até 100.000 ienes (mais de US$ 900). 

Yuka Yamauchi, uma engenheira de 35 anos, chegou quando faltavam quinze minutos para a meia-noite, a tempo de ver os outros saírem com as obras. 

"Faz um tempo que não via tantas pessoas", ressalta Yamauchi. Hoje, a maioria dos habitantes de Tóquio evita aglomerações por medo de contrair o coronavírus, que na capital japonesa. 

A jovem teve que se contentar com um prêmio de consolação: um pregador que provavelmente foi usado para pendurar uma das obras. 

"Encontrei no chão, então guardei como lembrança", conta ela, rindo. 

A possibilidade de roubar objetos atrai mais público e dá aos visitantes um certo prazer, o de transgressão, explica Minori Murata, artista que expôs carteiras com dinheiro e cartões de crédito.

A sociedade japonesa não tem o costume de desrespeitar as regras e proibições, e a incidência de criminalidade no país é muito baixa. 

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