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Exposição de Ron Mueck em SP conquista novo recorde de público

Mostra do artista australiano termina neste domingo

Camila Molina, O Estado de S. Paulo

22 de fevereiro de 2015 | 03h00

Desde 2001, com a exposição Rodin - A Porta do Inferno, a Pinacoteca do Estado de São Paulo não recebia mais de 300 mil pessoas. O museu quebra agora seu recorde de público com a mostra do australiano Ron Mueck, que termina neste domingo, 22 (com entrada gratuita), depois de uma temporada paulistana iniciada em 20 de novembro de 2014. Até sexta, quando a reportagem do Caderno 2 esteve na instituição, a última contagem, do dia anterior, era de 367.122 mil espectadores. O coronel da polícia militar, Ricardo Tavares Franco, de 55 anos, e sua filha, Isabela de Lima Franco, de 24 anos, eram, na ocasião, os primeiros da fila para ver as esculturas hiper-realistas do artista. Haviam chegado ao local às 5h20 da manhã.

“É a nossa terceira tentativa”, afirmou o policial antes de a Pinacoteca abrir seus portões, às 10 horas. “No fim de semana, a fila estava muito grande, mas, desta vez, queríamos ser os primeiros”, completou Ricardo Franco. “Quero ver os detalhes das esculturas, a perfeição das obras”, disse Isabela, formada em farmácia. Durante a espera, um grupo formou-se para conversar e matar o tempo.


“Nós chegamos às 5h30, mas ficamos com medo porque estava escuro e é perigoso ficar por aqui”, contou a auxiliar de informática Isis Trevelin Pinto, de 26 anos, referindo-se à região do museu. “Até que a fila se formasse, ficamos esperando na Estação da Luz e lá só havia um guarda do metrô que espantou dois moradores de rua que vieram nos abordar”, explicou sua irmã, Ive Trevelin Pinto, de 28 anos. Engenheiro aposentado, Pedro Correa de Lacerda, de 64 anos, estava ao lado. “Sou de Porto Alegre e estava em Xangai, mas eu e minha mulher nos programamos a parar em São Paulo para ver a exposição.” Banquinhos de plástico eram oferecidos na fila (de, geralmente, 40 minutos a 1 hora de espera) a R$ 5 por vendedores como Felipe Gabriel, de 19 anos.

Até o ex-jogador de futebol Ronaldo “fenômeno” fez questão de visitar a exposição de Ron Mueck - e a fotografia que ele postou em seu Facebook ao lado das obras do artista, conta o diretor de relações institucionais da Pinacoteca, Paulo Vicelli, teve 102 mil visualizações. “Tivemos uma diversidade de personalidades e de público”, diz Vicelli. “Como estatística, 80% dos visitantes são pessoas que vieram pela primeira vez ao museu”, explica - entretanto, calcula que apenas 1/3 desses novatos aproveita para conhecer as outras mostras do museu.

Interação. Para citar mais alguns dados apresentados pela diretoria da instituição, a média diária de frequentadores de Ron Mueck foi de 4 a 5 mil espectadores (mas na última quinta-feira, foram registrados 9.331). Aos sábados, quando a entrada da Pinacoteca é gratuita, o número crescia para a faixa de 7 a 8 mil - e de uma forma geral, afirma Vicelli, cerca de 170 mil não pagaram ingresso para ver a exposição.

“Sabíamos que seria um sucesso, mas não tanto”, avalia Ivo Mesquita, diretor artístico da Pinacoteca. A mostra em São Paulo superou, em termos de público, as outras apresentações da exposição de Ron Mueck, originária da Fundação Cartier de Paris (na França, foram 330 mil visitantes em 6 meses de exibição; no MAM do Rio, 300 mil; e na Fundação Proa, de Buenos Aires, 180 mil). “Foi uma experiência transformadora”, completa Mesquita, cujo cargo à frente termina em março, quando será substituído por Tadeu Chiarelli.

O diretor artístico considera que as exposições de apelo midiático têm um dado interessante, “permitem interação”. “As pessoas ficam 1 hora na fila e a visita é feita em 20 minutos, com 9 fotos”, diz Ivo Mesquita, referindo-se ao número de esculturas do australiano presentes na mostra. “Precisamos pegar esse público por aí”, considera. Outra questão importante levantada pela diretoria é a necessidade de criação de outro prédio para a Pinacoteca, que completa 110 anos em 2015. “Aprendemos que o museu precisa de um terceiro espaço para expor arte contemporânea”, afirma Mesquita. “Este edifício (a sede da Praça da Luz) tem escadas, é centenário, e arte contemporânea é no térreo.”

Enquanto isso, aproveitando os últimos dias da exposição, o químico Ronaldo Schmidt, de 60 anos, estava no octógono do museu conhecendo de perto o casal de velhos esculpido e agigantado por Ron Mueck. “É como uma fotografia em 3D”, definiu. “Essas obras me passam uma sensação de que o tempo parou”, completou sobre a arte do escultor.

NÚMEROS

* 367 mil foi o número de visitantes registrado até quinta-feira, dia ainda no qual 9.331 pessoas passaram pelo museu

* 300 mil espectadores era o último recorde da Pinacoteca, em 2001, com a mostra de Rodin

RON MUECK

Pinacoteca. Praça da Luz, 2, Luz, tel. 3324-1000. Domingo, último dia, das 10 h às 22 h. Grátis.

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