Exposição celebra 20 anos do 'Castelo Rá-Tim-Bum'

Quem visitar a mostra no Museu da Imagem e do Som se sentirá como se entrasse nos cenários da série

Flavia Guerra , O Estado de S. Paulo

15 de julho de 2014 | 19h51

No ano em que completa 20 anos, o programa Castelo Rá-Tim-Bum ganha uma mostra comemorativa no Museu da Imagem e do Som: Castelo Rá-Tim-Bum – A Exposição. E quem visitar o MIS de hoje até 12 de outubro vai se sentir como um dos convidados do garoto Nino. 

Dos objetos de cena como o famoso relógio falante, os livros e o quarto do Nino (Cássio Scapin) e o QG da bruxa Morgana (Rosi Campos), passando por uma cozinha sensorial, em que o público pode sentir o aroma dos alimentos, tudo foi concebido para transportar os antigos e novos fãs para a atmosfera do programa que marcou época e ainda hoje se mantém entre os favoritos do público infantil. “A ideia surgiu quando, ainda na fase das exposições do Stanley Kubrick e do David Bowie, estávamos com vontade de organizar uma exposição relacionada à cultura brasileira”, conta André Sturm, diretor do MIS. 

“E um dos meus assistentes, que é louco pelo Castelo, me contou o programa estava completando 20 anos e sugeriu algo para a nossa maratona infantil”, relembra o diretor. “Cheguei, então, à conclusão de que o assunto merecia uma exposição. Afinal, é um dos melhores programas da TV brasileira dos últimos tempos. É impressionante a paixão que desperta até hoje. É um ícone”, completa Sturm. 

O passo seguinte foi entrar em contato com a TV Cultura, que originalmente exibiu a série de 1994 a 1997 e reprisa atualmente todos os episódios, de segunda a sexta-feira, às 11h30 e às 19h30. Com a colaboração do canal, a equipe do MIS pesquisou no acervo o que poderia ser emprestado ao museu. “Checamos quais objetos, bonecos e figurinos poderíamos usar, pois alguns estavam envelhecidos. E fizemos uma parceria para o restauro do que estivesse precisando ser renovado. Em seguida, chamamos um cenógrafo que, a partir do que tínhamos desenvolvido, trouxe ideias e saídas para que a exposição fosse a melhor possível”, informa o diretor. 

O resultado é mais uma mostra que faz bom uso do espaço nem sempre amplo do MIS para transportar o visitante a uma viagem pelo tema tratado. “É de fato desafiador nosso espaço físico, que nos faz usar a criatividade para criar as ambientações de nossas mostras. Sou suspeito, mas acho que conseguimos recriar o Castelo com muita fidelidade e, ao mesmo tempo, com muita magia”, declara Sturm. 

Além de agradar aos antigos fãs que cresceram assistindo na TV Cultura a série criada e dirigida por Cao Hamburger, a exposição tem tudo para conquistar novos fãs. “Vai ser ótimo. As crianças que viam o programa poderão hoje levar seus filhos, sobrinhos e afins”, comenta Hamburger. “Fiquei muito feliz com esta homenagem ao programa e aos fãs. Colaborei como pude para que tudo fosse o melhor possível”, completa o diretor, que criou o programa em parceria com o dramaturgo Flávio de Souza.

O diretor, que atualmente trabalha na edição de sua nova série para a TV, que também será exibida na TV Cultura e deve estrear em novembro, também se surpreende com o fato de que até hoje o programa se mantém atual. “Ele envelheceu tecnicamente, pois foi gravado em um formato antigo. Mas o formato e o conceito continuam interessantes”, analisa Hamburger. 

Para o criador, o programa foi inovador ao trazer elementos que dialogavam com o lançamento do Windows, em que quadros e atrações iam se abrindo diante do espectador. “Era o começo da revolução tecnológica que vivemos hoje. E, de certa forma, retratamos aquele momento. Já em seu conceito original tínhamos uma preocupação de falar da história da humanidade. Os personagens, como a Morgana, tem seis mil anos. O Dr. Victor (Sergio Mamberti) é um cientista preocupado com o futuro. Há ainda o Telekid (Marcelo Tas), praticamente um twitter, que tenta entender o que acontecia. O Castelo representa muito o assombro e o encantamento com a revolução que estava começando. Conseguimos equilibrar entretenimento e conteúdo. Não é à toa que este universo ainda encanta”, acrescenta o diretor. 

É este admirável mundo novo que se revela, na verdade, o principal destaque da mostra. Muito por isso, o saguão do Castelo foi totalmente recriado no MIS. “As pessoas vão passar por um portão e, em seguida, literalmente entrar no Castelo”, conta Sturm. 

Em paralelo, haverá diversas atividades, como o espetáculo Penélope, a repórter cor-de-rosa, uma oficina de animação stop motion e outra de instrumentos musicais; além da apresentação de espetáculos com alguns dos principais atores do elenco, como Rosi Campos (Morgana) e Angela Dip (Penélope). 

ENTREVISTA 

Rosi Campos, atriz, intérprete da bruxa Morgana 

‘Série atravessou gerações e uniu o pedagógico à diversão’

Como recebeu a notícia de que o Castelo ia ganhar uma mostra?

Adorei. O MIS representa tudo, som, cinema, imagem, teatro. E o programa foi importantíssimo, como o Sítio do Pica-Pau Amarelo e Vila Sésamo

Você se reuniu recentemente com os outros atores do elenco. Como foi o reencontro?

Incrível. Encontrei a Cinthya Rachel (Biba), o Luciano Amaral (Pedro) e o Cássio Scapin (Nino). Foi muito bom relembrar e revê-los. Principalmente porque eles gravaram por um ano e meio e eu, que gravava separado, durante três meses. E, mesmo assim, a Bruxa Morgana é das minhas personagens mais queridas. Até hoje, há mães que me chamam para festas dos filhos e dizem que eram elas que queriam conhecer a Morgana, porque cresceram assistindo. O Castelo atravessou gerações e conseguiu unir o pedagógico à diversão. Isso é raro. Muitas professoras também vêm conversar comigo sobre isso.

CASTELO RÁ-TIM-BUM – A EXPOSIÇÃO

MIS. Avenida Europa, 158, tel. 2117-4777.

3ª a 6ª, 12 h/ 21 h; sáb., 10 h/ 22 h; dom., 10 h/ 20 h.

R$30. Até 12/10.

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