Euclides da Cunha em discussão

Legado do escritor é tema de debate que acontece hoje no auditório do Estado

Ubiratan Brasil, O Estadao de S.Paulo

14 de agosto de 2009 | 00h00

A herança cultural do escritor e jornalista Euclides da Cunha (1866-1909), cujo centenário de morte é lembrado neste ano, está no centro do colóquio Euclides da Cunha 360º - A Obra e o Legado de um Intérprete do Brasil, que acontece hoje, no auditório do Estado. Das 14 h às 20 horas, sete acadêmicos, um ficcionista e um dramaturgo vão discutir a perenidade da obra do autor de Os Sertões, em mais uma etapa de O Ano de Euclides, projeto jornalístico, cultural e multimídia do Grupo Estado, iniciado em março, em homenagem ao escritor, que morreu a 15 de agosto de 1909. Como os ingressos estão esgotados, o evento poderá ser acompanhado ao vivo pela TV Estadão - e os internautas terão a chance de enviar questões aos debatedores.Publicado em 1902, Os Sertões nasceu da cobertura jornalística de um dos conflitos mais sangrentos da história brasileira: a ação vitoriosa do exército contra revoltosos instalados na cidade baiana de Canudos. Euclides viajou para o local em 1897, a convite de Julio Mesquita, então diretor do Estado. É esse trabalho que inspira o primeiro debate do colóquio, Ciclo dos Sertões. Professora de Teoria Literária e Literatura Comparada da USP, Walnice Nogueira Galvão falará sobre a primeira parte de Os Sertões (A Terra) e também a respeito da última (A Luta), além de traçar considerações sobre a escritura do livro.Em seguida, Luiz Costa Lima, professor titular de literatura da PUC-RJ, vai detalhar as concepções do polonês Ludwig Gumplowicz (1838-1909), cujo trabalho influenciou Euclides, que o acreditava "maior que Hobbes", como consta na nota preliminar de Os Sertões.O primeiro debate se encerra com Lilia Moritz Schwarcz, professora do Departamento de Antropologia da USP, discutindo em detalhe a segunda parte de Os Sertões, "O Homem", motivo de crítica desde a primeira edição da obra. "O ataque dirige-se ao suposto ?erro? de Euclides ao se apoiar na bibliografia legada pelo darwinismo social, o qual condenava o cruzamento de raças e via nele um sinal forte de degeneração", comenta Lilia. A mediação será do editor do caderno Cultura Rinaldo Gama.A segunda parte do colóquio tratará do Ciclo da Amazônia, ou seja, a expedição empreendida por Euclides ao norte do País, que resultou em sua obra póstuma À Margem da História. Ali estão ensaios como Os Caucheros e Judas-Asvero, que revelam o olho agudo de Euclides para as disparidades sociais, a iniquidade econômica e a injustiça em geral. Sobre o assunto, vão debater o escritor e colunista do Caderno 2 Milton Hatoum, o professor titular do Programa de Teoria e História Literária do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp Francisco Foot Hardman, e a socióloga e pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz Nísia Lima. A mediação será feita pelo editor executivo e colunista do Estado Daniel Piza.O terceiro e último debate terá como tema Os Ciclos de Euclides, ou seja, a influência que a obra do escritor ainda exerce sobre as diversas formas de arte. Esse será o viés da apresentação de Leopoldo Bernucci, professor de literatura latino-americana da Universidade da Califórnia (EUA), e de José Leonardo do Nascimento, professor do Instituto de Artes da Unesp, que irão se deter nas biografias e nas repercussões críticas do trabalho de Euclides da Cunha. "As leituras da obra euclidiana modificaram-se no curso dos cem anos da presença de Euclides na história cultural brasileira", comenta Nascimento. "Princípios analíticos essenciais permaneciam, porém, sob a superfície dessas modificações. Permaneceu, por exemplo, a concepção que a literatura euclidiana é um tecido composto de arte, ciência (ou pretensão cientifica) e observação histórica. Manteve-se, ainda, como princípio unificador da sua fortuna crítica, uma perspectiva estética segundo a qual os objetos artísticos representariam ou expressariam realidades que lhes seriam exteriores", explica ele.O encontro terminará com a apresentação do ator, diretor e fundador do Teatro Oficina José Celso Martinez Corrêa, que adaptou Os Sertões para o teatro. A mediação do terceiro debate será de Laura Greenhalgh, editora executiva do Estado. o Ano Euclides no ?Estado? MARÇO: o repórter Daniel Piza e o fotógrafo Tiago Queiroz reconstituem a expedição chefiada em 1905 por Euclides da Cunha ao longo do rio Purus, no Acre. A viagem é acompanhada em boletins pela Rádio Eldorado, notícias em tempo real no portal estadao.com.br e matérias publicadas pelo Estado, reunidas depois em um caderno especial lançado em abril. As imagens transformam-se no vídeo Um Paraíso Perdido, de Felipe Machado, disponível no Portal Estadão. ABRIL: o caderno Cultura inaugura a seção "Euclides no Estado", com reprodução de trechos de artigos do escritor para o jornal, comentados pela professora Walnice Nogueira Galvão. JULHO: a Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, inclui a mesa-redonda O Mar e os Sertões, promovida pelo Estado, com os os críticos literários Walnice Nogueira Galvão e Francisco Foot Hardman, além do escritor amazonense Milton Hatoum e de Daniel Piza. HOJE: realização do debate Euclides da Cunha 360º - A Obra e o Legado de um Intérprete do Brasil, no auditório do Estado, transmitido ao vivo pelo Portal Estadão, que passa a disponibilizar uma página especial sobre a vida e a obra do escritor.23 DE AGOSTO: edição especial do caderno Cultura com a cobertura completa do debate.EM BLOG , AS NOTÍCIAS MAIS INTERESSANTES DE 100 ANOS ATRÁSSEÇÃO FIXA: No domingo, o site www.estadao.com.br estreia um novo blog, O Estado de S. Paulo 100 Anos Atrás, que, como diz o título, vai oferecer diariamente aos internautas uma seleção do que foi publicado no jornal há exatamente um século. A data da inauguração do blog coincide com a efeméride de 100 anos da morte do escritor e engenheiro Euclides da Cunha, personalidade ilustre dentro da história do ?Estado? - a notícia de seu assassinato, em 15 de agosto de 1909, foi publicada no dia seguinte.O blog, uma seção agora fixa do site, é uma ampliação para a mídia eletrônica da coluna diária intitulada Há Um Século, publicada na página 2 do caderno Cidades/Metrópole do ?Estado?. Projeto realizado pela equipe do Arquivo/Centro de Documentação e Informação do Grupo Estado, o blog, feito em parceria com o setor de conteúdos digitais do grupo, será alimentado todos os dias com as mais interessantes notícias, curiosidades, notas, exemplos de anúncios e fotografias de um século atrás selecionadas pela historiadora Regina Mara Teles. Além dos conteúdos, que seguirão as regras de ortografia do período, o internauta poderá também ver um fac-símile da primeira página do ?Estado? da época.

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