''''Eu tocava músicas de Chick Corea quando tinha apenas 5 anos''''

Eldar Djangirov: Pianista Nascido no Quirguistão, uma das repúblicas da antiga União Soviética, ele tinha apenas 9 anos quando um expert do jazz americano o viu tocar num festival de música em Novosibirsk, Rússia, e convenceu seus pais a migrarem para os Estados Unidos e investir em sua carreira. Aos 10 anos, já instalado num subúrbio de Kansas City, venceu o prestigioso Lionel Hampton. Sua fama de menino-prodígio de impressionante técnica e velocidade ao piano impulsionou sua carreira, mas também o estigmatizou. Hoje com 20 anos, Eldar mostra no Brasil o que a crítica vem chamando de ''''maturidade'''' de sua carreira, o disco Re-Imagination, no qual reúne músicos como o baterista Ali Jackson Jr., e o produtor DJ Logic. Eldar é um nome que aparece nos livros mitológicos de J.R.R. Tolkien, de O Senhor dos Anéis. Tem alguma coisa a ver com o seu nome? (Risos) Não que eu saiba. É um nome que aparece em muitas culturas diferentes. Na Sibéria, significa ''''o lugar onde vivem os Deuses''''. O que o influenciou mais: a música erudita ou o jazz? Quando comecei, minha mãe era pianista clássica, professora. Isso influenciou meu toque, a técnica. Meu pai, entretanto, era um engenheiro mecânico que viajava muito, e adorava jazz. Ele trazia discos de todas as partes do mundo para onde ia, e eu gostava de ouvir. Há uma história que contam que você, aos 5 anos, tocava peças de Oscar Peterson ao piano. (Risos) Não me lembro disso. Sei que eu tinha alguma facilidade, mas não tocava nada especial aos 3 anos. Era apenas um tipo de progressão. Quando eu cresci, lá pelos 5, 7 anos, tocava algumas coisas de Chick Corea, gostava muito. Além dele, houve outros pianistas de jazz que o influenciaram? Acho que sempre gostei de ouvir os grandes: Keith Jarrett, Herbie Hancock, Art Tatum, McCoy Tyner. Acho que todos têm sensibilidades diferentes, e ouvir é fundamental para desenvolver nosso vocabulário. Você também teve o DJ Logic como colaborador. Gosta da eletrônica? Acho que 60% do que eu ouço é jazz, e depois vêm o rock, a eletrônica, a música erudita. Ouvir uma coisa só é como provar só um tipo de comida. O importante é a musicalidade, saber aonde você quer chegar. Os críticos o consideram agora mais confiante... Não sei. O que quer dizer isso? Entendo que estejam intrigados: esse meu novo disco não soa como nenhum outro que tenho ouvido. Se isso significa maior confiança, estão certos.

O Estadao de S.Paulo

25 Outubro 2007 | 00h00

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