''Eu me vejo maduro, mas não pronto, e muito agradecido''

Quase cinqüentão e comemorando 30 anos de carreira, Chico Diaz diz sentir orgulho pelo caminho que trilhou até aqui

Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

07 Agosto 2008 | 00h00

São 30 anos de carreira, mais de 50 filmes e 20 trabalhos na televisão. No ano que vem, Chico Diaz vira cinqüentão, mas, ao contrário de seu personagem em A Favorita, Átila, ele não está em crise. O ator orgulha-se do caminho trilhado até aqui, e tem os olhos muito azuis voltados para o futuro. "Eu me vejo maduro, não pronto ainda, e muito agradecido. Não que eu tenha chegado a algum lugar, mas pelas histórias que eu contei", ele disse, em entrevista ao Estado numa livraria do Jardim Botânico, bairro carioca no qual sempre morou. Casado com Lorena (Gisele Fróes, a quem admira e com quem já havia trabalhado no teatro) e pai de Cassiano (Thiago Rodrigues, descrito por ele como "curioso, respeitoso e atento"), Átila é um homem simples e alegre, que segue em frente depois da demissão. Uma história secreta com a cunhada, Cida (Claudia Ohana), vem se revelando. "Ele vive uma crise que, como toda crise, veio para limpar o que está sujo. A volta da Cida reaviva questões e ele se pergunta: ?Será que isso é felicidade??", Diaz analisa. O ator sente-se feliz por ter a oportunidade de viver um tipo tão diferente do Jader de Paraíso Tropical, seu último papel marcante - um vilão odiado a ponto de ele ter sido hostilizado nas ruas, tal qual vem acontecendo com Jackson Antunes, o cruel Leonardo, seu concunhado em A Favorita. Numa novela cheia de atuações brilhantes como a de Gilberto Braga, conseguiu se destacar como coadjuvante. Ele não se vê marcado por tipos mau-caráter. "O ser humano tem necessidade de te colocar numa prateleira, mas eu não acho que tenha me repetido na minha carreira." O ator tem uma leitura particular sobre a confusão que o público faz entre intérprete e personagem: não é que as pessoas não saibam diferenciar ficção de vida real, diz; o que elas querem é participar da história, nem que seja dando esbofeteando o ator - na época de Força de Um Desejo, em que Diaz era um capataz da linha mau-feito-um-picapau, isso quase aconteceu. Diaz nasceu no México e veio criança para o Brasil. Começou no teatro no Tablado e integrou, no iniciozinho dos anos 80, o Manhas e Manias, que misturava linguagem circense com dramaturgia (Débora Bloch, Andrea Beltrão, Pedro Cardoso e o diretor José Lavigne vêm do mesmo grupo). Três décadas depois, confessa ter uma "quedinha" pelo cinema. Tem sido tão convidado que faz um filme atrás do outro. Os prêmios já somam 17. Recentemente, além de curtas, participou de cinco filmes ainda inéditos: Contador de Histórias, de Luiz Villaça, Saens Peña, o primeiro longa de ficção de Vinicius Reis, Andar às Vozes, de Eliane Caffé (Kenoma, Narradores de Javé), Sonhos de Peixe, do diretor russo Kirill Mikhanovsky, e Ouro Negro: A Saga do Petróleo Brasileiro, da cineasta maranhense Isa Albuquerque. O primeiro set foi o de O Sonho não Acabou (1982), de Sergio Rezende, que marcou também a estréia, na tela grande, de Lauro Corona, Miguel Falabella e Lucélia Santos. A paixão permanece. Em breve, o ator, que é formado em Arquitetura, poderá aventurar-se como diretor - ele faz curso de documentário na Fundação Getúlio Vargas. Por enquanto, segue filmando, gravando e brincando por aí com a filha Irene, de 4 anos, de seu casamento com a atriz Silvia Buarque (o filho mais velho, Antonio, de 13 anos, mora com a mãe).

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