Estudos na Itália e criação no País

Participação na 1ª Bienal (1951) foi decisiva

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

29 de março de 2009 | 00h00

Myrrha Dagmar Dub, Mirra Hargesheimer até adotar, em 1953, o nome Mira Schendel. Nascida a 7 de junho de 1919 em Zurique, Suíça, a artista chegou ao Brasil em 1949, instalando-se inicialmente em Porto Alegre. Antes disso, na década de 30, Mira fez sua formação em arte e filosofia em Milão. Durante a 2ª Guerra interrompeu os estudos, vivendo em Roma e em Sófia, na Bulgária, até mudar para o Brasil.Na capital gaúcha, a artista, que assinava Mirra Hargesheimer, sobrenome de casada, fez pintura, escultura de cerâmica e restauro de obras barrocas, além de dar aulas de arte. Dedicou-se também à poesia, ao estudo de filosofia e ao design gráfico - trabalhou na Tipografia Mercantil, experiência que se reflete no repertório de suas obras: letraset, palavras e letras. Ainda vivendo em Porto Alegre, Mira participou da 1.ª Bienal de São Paulo, realizada no ano de 1951 - desde então, esteve em nove edições do evento (na de 1998, teve sala especial). A artista também participou por duas vezes da mais tradicional das bienais, a de Veneza (em 1968 e 1978).Estar na 1.ª Bienal de São Paulo 91951) foi um impulso decisivo para sua carreira. Mira se mudou em 1953 para a capital paulista, onde viveu até sua morte, em 24 de julho de 1988, vítima de câncer no pulmão, e criou aqui as obras fundamentais de sua trajetória: bordados, pinturas, desenhos, monotipias; as Droguinhas, os Objetos Gráficos e finalmente a série Sarrafos (1987). Por duas vezes Mira passou temporadas na Europa. Acostumada à reflexão teorica, travou amizades com intelecutais do porte do semiólogo e escritor italiano Umberto Eco e o filósofo alemão Hermann Schmitz.Mira teve seu talento reconhecido em vida, transformando-se em um dos vetores da arte brasileira. Nos últimos dez anos, sua produção vem sendo cada vez mais valorizada no mercado, principalmente no internacional. Suas criações passaram a integrar acervos de instituições como Tate, MoMA, Museu de Houston e Reina Sofia. Em São Paulo, destaca-se o grande conjunto de suas obras integradas ao acervo do MAM, doadas pelo marchand Paulo Figueiredo. Neste momento em que o MoMA lhe dedica uma mostra de peso, a editora Cosac Naify lança o livro Mira Schendel - Do Espiritual à Corporeidade, do artista e teórico Geraldo de Souza Dias; o catálogo de Tangled Alphabets, editado em parceria com o museu americano; e a nova edição de Mira Schendel, de Maria Eduarda Marques.

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