Estudos científicos descobrem novos mestres

Pesquisadores, depois de análise estilística, detectaram dois escultores desconhecidos do período

Jotabê Medeiros, CONGONHAS, O Estadao de S.Paulo

11 de setembro de 2009 | 00h00

A história do barroco mineiro ainda é uma história a ser contada. É o que mostra o estudo publicado no boletim do Centro de Estudos da Imaginária Brasileira de julho, que revelou a existência de dois novos mestres escultores no período, trabalhando em Minas Gerais.

Os dois novos artistas catalogados foram identificados após estudo estilístico em peças em museus de arte sacra de Minas e São Paulo. De nenhum dos dois se sabe a identidade, daí porque foram batizados com os nomes dos municípios que foram suas bases de atuação. O primeiro deles é o Mestre de Lagoa Dourada, que esculpiu durante a primeira metade do século 18. É uma obra primitiva, de caráter rígido, como sugere o estudo. Por exemplo: em quase todas as suas esculturas, as vestes estão postadas da mesma forma, sem sugestão de movimento, rijas. As posturas Deas imagens são quase todas iguais, os cabelos com mechas e cachos concêntricos voltados sempre para o mesmo lado e uma grande desproporção entre cabeça e membros parece evidente.

O estudo demonstrou que o Mestre de Lagoa Dourada não se inspirou diretamente na imagem clássica europeia, mas no artesanato de barro, tipicamente paulista do século 17, o que torna um caso único entre as diversas oficinas de produção de arte sacra do período.

O segundo mestre é o mais interessante. Foi batizado como Mestre de Vitoriano Veloso, e atuou entre os séculos 18 e 19. Sua peculiaridade erram os materiais que utilizava: além da madeira, o barro cozido ou cru, a pedra talco e sabão, estanho, chumbo e prata. Mas o mais curioso: arrematava as obras com tecido encolado, uma técnica rara, como a utilizada nas máscaras mortuárias egípcias. Nos cabelos das estátuas, usava um fibra vegetal rústica.

O escultor enrolava a peça que recebia um primeiro formato em madeira com camadas sucessivas de tecido, que ia ''colando'' com uma espécie de cera. Depois, moldava as formas, e deixava secar. Finalmente, aplica a policromia. Dessa forma, os tecidos das roupas dos santos parecem ainda mais realistas, e são.

O Mestre de Vitoriano Veloso pode ser ''desmascarado'' em breve. Os pesquisadores descobriram uma imagem de São Joaquim na Igreja Matriz de Tiradentes, e que possui recibo de pagamento. Está datado de 1753 e o pagamento foi a um certo Rodrigo Francisco. Entretanto, para definir de fato se é esse o escultor misterioso, seria necessária a localização de um outro documento que o ligasse a outras das quase dúzia de imagens que apresentam as mesas características.

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