Estímulos sonoros que criam um espetáculo

O Grivo, duo musical que esteve presente na última Bienal, compõe trilha que conduz Dança Precária, da mineira Margô Assis

Livia Deodato, O Estadao de S.Paulo

16 de janeiro de 2009 | 00h00

A proposta foi a seguinte: Margô Assis criaria movimentos a partir das músicas que fossem apresentadas pelo duo mineiro O Grivo. Três máquinas sonoras, produzidas artesanalmente com bambu, madeira, elástico, linha de ?papagaio?, entre outros materiais, além de um aparelho de som que disponibiliza cinco canais diversos, tornaram-se a fonte musical que digeriu e conduz todo o espetáculo intitulado Dança Precária, que estreia amanhã no Sesc Avenida Paulista e fica em cartaz até o próximo dia 8.Mas seria precipitado fazer a automática associação do título a algo provisório ou sem garantia. "A acepção está voltada à fragilidade e à instabilidade de todo o processo", explica a bailarina e coreógrafa. Parceiros desde 2000, Margô propôs aos músicos Nelson Soares e Marcos Moreira Marcos, de O Grivo (participantes da última Bienal), que trabalhassem estímulos capazes de induzi-la em uma coreografia inusitada, baseada na improvisação. "O espetáculo possui uma estrutura, um fio condutor, mas também abre a possibilidade de ser modificado a cada apresentação."Extensos fios conectam as máquinas às mãos, pernas e boca da bailarina. Cada um deles é capaz de produzir um ruído específico e distinto, que são acionados de acordo com seu comando. "A precariedade para a qual chamamos atenção no título também faz menção à limitação de amplitude das máquinas", complementa.A iluminação de Dança Precária, desenhada por Telma Fernandes, também segue o processo inverso, pouco comum durante o processo de montagem de um trabalho artístico. "A luz também foi criada como estímulo, responsável por me direcionar e me modificar. Esse é justamente o objetivo do trabalho: desenvolver um sistema aberto que possa ser interferido e mostrado de forma diferente a cada dia", relata.Dança Precária foi realizada com o apoio do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, onde Margô escolheu morar há 23 anos depois de deixar sua cidade natal de Capitólio. O espetáculo teve a sua primeira apresentação em outubro do ano passado no Fórum Internacional de Dança (FID), também ocorrido na capital mineira. O espetáculo dá continuidade a sua pesquisa que vem desenvolvendo há pelo menos oito anos, quando estreou eXperimento 1, sobre o sistema orgânico do corpo. As intervenções visuais e sonoras, no entanto, vieram um pouco mais tarde e foram firmadas em Desenho, de 2007, trabalho realizado com o artista plástico Eugênio Pacelli.OFICINAS E DEBATEA partir de hoje e até o próximo dia 6, somente às sextas-feiras, o público também terá a oportunidade de participar de oficinas ministradas por Margô. Sob o tema Focando o Corpo para a Criação, visam a despertar o interesse de jovens pela dança contemporânea e oferecer ferramentas para o desenvolvimento de criações coreográficas.No dia 29, Margô vai promover um debate para contar um pouco do processo de seu trabalho artístico. O bate-papo integra o ciclo Olhares Sobre a Dança, uma iniciativa do Sesc para aproximar o olhar do público com a área. ServiçoDança Precária. Sesc Avenida Paulista. Avenida Paulista, 119, 3179-3700. Sáb. e dom., 19 h. R$ 5 a R$ 20. Até 8/2

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