''Este país é um país de exploração'', dizia o jurista e sociólogo

AMARRAS DO PASSADO: Jurista, sociólogo, historiador e cientista político, Raymundo Faoro nasceu em Vacaria, no RS, em 1925. Formou-se em Direito pela então Universidade do Rio Grande do Sul. Em 1951, mudou-se para o Rio, onde se tornou procurador do Estado, cargo no qual se aposentou. Elegeu-se presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil em 1977. Ficou na função durante dois anos, denunciando as arbitrariedades cometidas pelo regime militar contra a Constituição. É de 1958 sua obra principal Os Donos do Poder. Em 1975, publicou Machado de Assis - A Pirâmide e o Trapézio, obra que o alçou a um dos principais intérpretes da obra machadiana. Ele aplicou conceitos de Os Donos do Poder à análise do universo ficcional de Machado de Assis. Percebem-se, nos enredos e personagens machadianos, reflexos das estruturas oligárquicas do 2º Império, período mitificado. Essas bases arcaicas são travas ao surgimento de uma democracia verdadeira no País. Elas impregnam o comportamento das elites e impedem a existência de uma sociedade civil real. "Este país é um país de exploração" é uma de suas frases lapidares. Democracia Traída, recém-lançado, reúne entrevistas concedidas por Faoro entre 1979 e 2002 e publicadas nas revistas IstoÉ, IstoÉ Senhor e Carta Capital. Elas comentam fatos importantes como as Diretas Já e a Constituinte de 1988. Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 2000, no lugar do jornalista Barbosa Lima Sobrinho. Morreu em 2003.

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