Estatal destina R$ 82 milhões ao setor

Petrobrás anunciou ainda ontem que R$ 42,3 milhões terão seleções públicas e R$ 40 milhões vão ser distribuídos por editais

Felipe Werneck, RIO, O Estadao de S.Paulo

15 de outubro de 2008 | 00h00

Chamado de "emissário de papai-noel na área da cultura" pelo ministro Juca Ferreira, o gerente-executivo de Comunicação da Petrobrás, Wilson Santarosa, anunciou ontem investimentos de R$ 82,3 milhões no setor. Serão R$ 42,3 milhões por meio de seleções públicas do Programa Petrobrás Cultural (PPC), que está em sua 5ª edição, e mais R$ 40 milhões a serem distribuídos por meio de editais do Ministério da Cultura. O PPC foi apresentado pela atriz Marieta Severo em cerimônia no terraço do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio. Em discurso, o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, disse que os recursos previstos para cultura estão garantidos, apesar da crise financeira global. Segundo ele, os investimentos poderão até aumentar - isso vai depender do balanço anual da empresa. "As conjunturas e os fenômenos que estamos vivendo não podem afetar o apoio de compromisso que temos para a construção da cultura e de apropriação de bens culturais, principalmente pela população mais carente", disse Gabrielli. Precisando deixar o local antes do fim da cerimônia, por conta de uma reunião em Brasília, ele pediu um beijo a Marieta. E delegou a Santarosa a tarefa de anunciar os valores: "Ele vai anunciar a boa notícia, enquanto eu fico anunciando o fim do mundo", comentou.ROUANET Cerca de mil projetos receberam patrocínio desde a criação do PPC, em 2003. O deste ano foi dividido em duas partes: serão abertas hoje inscrições, no site www.petrobras.com.br, para as áreas de Produção e Difusão (projetos de audiovisual, artes cênicas, música, literatura e cultura digital). Em maio, serão abertas inscrições nas áreas de patrimônio/memória e formação/educação para artes. Uma novidade: o ministério poderá conferir aprovação na Lei Rouanet para projetos finalistas, após análise. O PPC beneficiará pela primeira vez companhias de circo, festivais de música e o setor de cultura digital. O último PPC recebeu 7 mil inscrições. Juca Ferreira disse que a Petrobrás "se tornou a maior parceira do ministério". "Não basta reduzir a desigualdade e levar renda aos mais necessitados. É preciso disponibilizar cultura." Segundo ele, a atual crise deverá encerrar um ciclo, aberto com a queda do Muro de Berlim, em que "o próprio mercado regularia todas as necessidades". Em discurso, Santarosa disse que "ainda há lastro" para utilização de recursos por meio da renúncia fiscal: "Em 2007, só 40% do total foi feito. Balanços de empresas são públicos, é fácil identificar quais podem investir. Vão bater na porta; vale a pena. Tem de provocar."

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