''Estado'' abre seu acervo fotográfico

Mostra traz seleção de mais de 130 anos do grupo na área de comunicação

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

20 de agosto de 2008 | 00h00

É um prazer e, ao mesmo tempo, uma tarefa extremamente difícil fazer uma seleção de fotografias do imenso acervo do Grupo Estado, com mais de 130 anos de atuação na área de comunicação. "Como num álbum de família, O Estado de S.Paulo e o Jornal da Tarde fotografaram a sociedade brasileira, mas são imagens de valor histórico nacional", diz Aparecido Marcondes, da Agência Estado. Ele é o curador da mostra Nossas Eternas Imagens, que será inaugurada hoje para convidados e amanhã para o público no Museu Brasileiro da Escultura (MuBE). A partir de milhares de imagens foram selecionadas 140 fotografias para formar a exposição que perpassa uma linha histórica que vai do início do século 20 aos dias de hoje, por meio do olhar acurado, sensível e oportuno de tantos repórteres fotográficos que trabalham ou já trabalharam no Grupo Estado - alguns deles, agraciados com o Prêmio Esso de Jornalismo e até o prêmio internacional da World Press Photo, concedido a J.F. Diorio em 2005 pela imagem do incêndio na favela do Buraco Quente, em São Paulo."Uma exposição feita de um acervo tão grande é algo que quase não acontece, ela fala de um coletivo e não de indivíduos", continua dizendo Aparecido Marcondes. A exposição Nossas Eternas Imagens marca o lançamento do banco de imagens da Agência Estado na internet (leia ao lado), uma ação que vai facilitar o trabalho de profissionais interessados em adquirir as imagens do rico acervo.Como o material expositivo são fotografias publicadas nas páginas dos jornais O Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde - e também nas versões online dos veículos -, um dos critérios que norteou a concepção da exposição foi abrigar as imagens em grupos e áreas de interesse como editorias: Política, Economia, Cidades, Cultura, Esportes, etc., diz Marcondes. Mas esses nichos temáticos não engessam certos assuntos que tanto marcaram a história do País, como a construção de Brasília; os registros das vibrantes vitórias da seleção brasileira de futebol em cinco edições da Copa do Mundo e das comemorações do povo nas ruas; o episódio do impeachment do presidente Fernando Collor de Mello; a passeata dos 100 mil no Rio de Janeiro, em junho de 1968; ditadura militar; e as mazelas nacionais como o recente apagão aéreo, rebeliões, incêndios e o trabalho escravo infantil, como enumera o curador.Nos painéis, também ganham destaques personalidades e eventos com a realização de galerias de fotos. Entre elas, os ídolos esportivos Pelé - em cinco imagens clássicas, ele é representado em movimento parado no ar, fazendo bicicleta e com uma "auréola", registro de 1960 - e o piloto Ayrton Senna; o meio ambiente (uma seleção com enfoque na Amazônia e no desmatamento); funerais - entre eles, a morte de Getúlio Vargas e de Tancredo Neves; e o amplo segmento de Cultura, com retratos históricos e recentes de escritores, músicos, atores. "Há um painel especial com imagens de cantores tocando violão tendo João Gilberto no centro", conta Marcondes. Bem, a lista de tantos temas importantes marcados na mostra e que fazem o diálogo entre o passado e o presente parece não ter fim: há também uma galeria de retratos de presidentes, de Getúlio, na década de 1930, até a imagem de Fernando Henrique Cardoso passando a faixa presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva. ServiçoNossas Eternas Imagens. MuBE. Rua Alemanha, 221, Jd. Europa, tel. 2594-2601. 10 h/19 h (fecha 2.ª). Grátis. Até 14/9. Abertura hoje, às 20 h, para convidados

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.