Espírito do vazio baixa no parque

Com elenco desfalcado, evento no Ibirapuera teve público irrisório nos cinco shows de anteontem

Lauro Lisboa Garcia, O Estadao de S.Paulo

24 de outubro de 2008 | 00h00

O espírito do vazio - tema da 28ª Bienal de São Paulo, que se abre hoje - baixou bem antes no TIM Festival. Vizinhos do prédio de exposições de artes visuais no Parque do Ibirapuera, o auditório e a arena de eventos do festival de música tiveram público irrisório na terceira noite. Reflexo do cancelamento dos shows de Paul Weller (que já tinha lotação esgotada para o programa Bossa Mod no auditório) e The Gossip, virou a noite mais micada dos últimos anos. Na arena, o público que já era pouco no show de Kanye West, na quarta, ficou menor para ver os gringos Neon Neon e Klaxons.A produção tentou compensar o desfalque de Weller chamando Roberta Sá e Arnaldo Antunes para se juntar a Marcelo Camelo, mas o número de ingressos devolvidos foi bastante significativo. Roberta começou sua apresentação com meia hora de atraso para uma média de 100 pessoas numa platéia com 800 lugares. Camelo, que abriria para Weller, foi jogado para o meio, entre os substitutos.O show de Roberta - baseado no ótimo CD Que Belo Estranho Dia pra se Ter Alegria, de 2007 - é muito bacana, mas já passou por aqui diversas vezes. Quem tinha de ver já viu. Afinada e graciosa, embora certinha demais, ela mandou bem seu recado e animou o público, crescente até certo ponto, com canções como A Vizinha do Lado (Dorival Caymmi) e Interessa? (Carvalhinho).Camelo era dos três o único a provocar certa expectativa, por mostrar pela primeira vez ao vivo as canções do disco-solo de estréia, Sou/Nós. O resultado é mais interessante no palco, muito por conta do requintado instrumental do Hurtmold. Autor de canções lindas, como a folk Janta, Camelo cantando (!) é aquela coisa insossa. Sem os histéricos fãs de Los Hermanos na platéia, ele teve uma recepção morna - compatível com o show.Se já na sétima canção de Camelo parte do público (incluindo jornalistas a trabalho) começou a dar o fora, sobrou muito menos para Arnaldo. Ironicamente, foi ele quem salvou a noite. Neon Neon e Klaxons são até divertidos, mas absolutamente esquecíveis. As melhores canções, qualidade de som e instrumentistas ficaram com os brasileiros no auditório. Acompanhado dos violões e guitarras de Chico Salem e Betão Aguiar e dos teclados e sanfona de Marcelo Jeneci, Arnaldo cantou algumas de suas mais belas composições, como Socorro, a recente Quarto de Dormir, Debaixo d?Água e Luzes. De brinde, a participação do grande Edgard Scandurra na guitarra em quatro músicas. Foi um encerramento mais do que digno de uma estranha (e chuvosa) noite pra ter alegria. Mas com Arnaldo teve até sol.

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