Esperando Matisse, Pinacoteca teme a crise

Museu tem extenso programa para 2009, com mostras de Margaret Mee e Hercule Florence, mas expressa preocupação com perda de recursos incentivados

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

16 de janeiro de 2009 | 00h00

O ano de Rodin foi 1995. O ano de Monet foi 1997. O ano de Picasso e dos espanhóis foi 2001. E o ano de 2009 já sabe: vai ser o ano Matisse, o ano em que filas de milhares de pessoas voltarão a se formar à frente de um museu brasileiro.Pela primeira vez, o artista francês Henri Matisse (1869 -1954) será objeto de uma grande exposição no País neste ano que começa. Será na Pinacoteca do Estado, e reunirá mais de 40 obras de Matisse - 15 delas emprestadas do Museu Georges Pompidou, o Beaubourg, de Paris, incluindo as famosas telas Nature Morte au Magnolia (de 1941) e Nu Rose Assis (1935-36). Além de Matisse, outros artistas franceses de outras gerações estarão na mostra: Adel Abdemessed, Cécile Bart, Christophe Cuzin, Frédérique Lucien, Pierre Mabille e Philippe Richard. Todos desenvolverão instalações.A curadoria da exposição Matisse será de Emilie Ovaere, curadora-adjunta do Musée Matisse de Le Cateau-Cambrésis, instalado num palácio na terra natal do artista na França, a 200 km de Paris. As obras serão distribuídas pelas sete salas climatizadas da Pinacoteca. Além das obras do Beaubourg, virão os painéis serigrafados D?Océanie, Le Ciel e D?Océanie, La Mer.Também estarão na mostra as pranchas do livro Jazz, do artista, editado em 1947 por Matisse e o editor de livros de arte Tériade - anteriormente, essas pranchas, da própria Pinacoteca, compuseram a única exposição de Matisse já realizada no Brasil. O evento também prevê um ciclo de debates com especialistas franceses e brasileiros.O programa de exposições para 2009 da Pinacoteca, o mais ativo museu paulista da atualidade, tem um cardápio invejável (veja programação ao lado). Por outro lado, o museu expressa, em seu pedido de verbas para a Secretaria de Estado da Cultura, preocupação com os recursos incentivados.Pela primeira vez, o governo do Estado definiu um orçamento progressivo para a Pinacoteca, com a destinação de R$ 76 milhões até 2013, começando com R$ 10,5 milhões este ano, R$ 15,7 milhões em 2010, R$ 15 milhões em 2011, R$ 16,6 milhões em 2012 e R$ 18,3 milhões em 2013.Ainda assim, o museu assinala que cabe "registrar a gravidade da situação econômica enfrentada no atual momento em todo o mundo, o que faz diminuir a expectativa de captação de recursos junto à iniciativa privada, especialmente por meio da Lei Rouanet, como logramos realizar - com bastante sucesso - nos últimos anos", diz o programa de trabalho da Pinacoteca. "A despeito da grande dificuldade prevista para 2009 na captação de patrocínios, particularmente os incentivados por meio da Lei Rouanet, os esforços da Pinacoteca serão redobrados nesta área, no sentido de viabilizar o máximo de exposições temporárias, que constituem o grande atrativo de público capaz de elevar os números de visitação." ProgramaJaneiro/março: Chelpa FerroMarço/maio: Daniel SeniseAbril/maio: Fernand LégerMaio/julho: Mario Cravo NetoJunho/agosto: Margaret MeeAgosto/setembro: Alex FlemingAgosto/outubro: Marcos LopezSetembro/novembro: Matisse Hoje Outubro/novembro: Hercules Florence e Celeste Boursier-Mougenot

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