Especialistas tocam Vivaldi no Cultura Artística

Orquestra Barroca de Veneza traz como solista o violinista Giuliano Carmignola

João Luiz Sampaio, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2024 | 00h00

No mundo da interpretação da música barroca, poucas parcerias têm dado tão certo. Em 1998, o regente e organista Andrea Marcos reuniu alguns dos principais instrumentistas italianos dedicados a esse repertório. Tocaram juntos, gostaram da idéia e criaram a Orquestra Barroca de Veneza. Pouco tempo depois, apresentaram-se com o violinista Giuliano Carmignola, solista de maestros como Cristopher Hogwood e Claudio Abbado. Não se largaram mais. Juntos, já correram o mundo em turnês, passando inclusive pelo Brasil, para onde voltam a partir de hoje, com concertos que fazem parte da temporada da Sociedade de Cultura Artística.O repertório tem aquela que é a especialidade do conjunto, em especial quando se apresenta com Carmignola: Vivaldi, mais especificamente sua música para orquestra barroca e violino. Hoje e amanhã, o programa é o mesmo: os Três Concertos para Cordas e Baixo-Contínuo, a Sinfonia para Cordas e Baixo-Contínuo e os Três Concertos para Violino, Cordas e Baixo-Contínuo, todas de Vivaldi, e o Concerto para Violino, Cordas e Baixo-Contínuo de Tartini. Se, nos últimos anos, a música barroca virou coisa de especialista, esse são os caras.A presença de Vivaldi é bastante significativa dentro da história do conjunto e de Carmignola. O compositor está espalhado por toda a sua discografia, primeiro para a Sony Classical e, desde 2003, para o Arkhiv, selo de música antiga e barroca da Deutsche Grammophon. No fim do ano passado, por exemplo, eles lançaram uma coletânea dos concertos para violino do compositor - e, pela Sony, foi lançada uma nova edição da elogiadíssima gravação das Quatro Estações, feita no fim dos anos 90.A discografia da Orquestra Barroca, no entanto, não se limita aos concertos. É particularmente importante sua atuação no universo da música vocal. Eles já gravaram uma seleção de motetos de Vivaldi, com a soprano Simone Kermes; uma coletânea de árias de Bach, com a soprano Angelika Kirchschlager, e outra dedicada a Haendel, com a impressionante meio-soprano tcheca Magdalena Kozena. Ainda na ópera, em parceria com teatros como o La Fenice, de Veneza, eles tem promovido a redescoberta de um enorme repertório, com montagens de obras esquecidas como Siroe, Rei da Pérsia, de Haendel, e L''''Olimpiade, de Cimarosa, entre outras.No departamento da música vocal, é digna de nota também a gravação de Andromeda Liberata. Ninguém dava muita atenção à obra até que um musicólogo identificou nela uma ária escrita por Vivaldi. Desde então, Andromeda tem sido alvo de polêmicas. Há décadas se disputa de quem seria a obra - para alguns especialistas, ela foi escrita inteiramente por Vivaldi; para outros, apenas uma ária seria dele: as outras teriam sido compostas por outros autores da época. Marcon faz parte do primeiro time e, para o registro, escolheu um time de primeira de solistas, composto por Simone Kermes, Katerina Beranova, Anna Bonitatibus e Max Emanuel CenCic.Serviço Orchestra Barocca di Venezia. Teatro Cultura Artística - Sala Esther Mesquita (1.156 lug.). Rua Nestor Pestana, 196, Centro, 3258-3344. Hoje e amanhã, 21 h. R$ 80 a R$ 180

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