Especialistas em Da Vinci refutam suposto falsificador do quadro La Bella Principessa

Britânico assegurava ser o autor do quadro descoberto em 1998

EFE, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2015 | 19h39

ROMA - Diversos críticos e historiadores de arte refutam as alegações do falsificador britânico Shaun Greenhalgh, que assegurou ser o autor de “La Bella Principessa”, quadro descoberto em 1998 e atribuído a Leonardo da Vinci.

A editoria italiana Scripta Maneant, que organizou este ano a exposição desta obra no palácio Ducal de Urbino e posteriormente na Villa Real de Monza, pediu a opinião dos especialistas, unânimes em defender a autoria de Leonardo da Vinci, confirmou um porta-voz à EFE.

A editora Scripta Maneant baseia-se tanto nos estudos de especialistas do autor renascentista como em resultados de uma investigação científica realizada pelo Lumière Technology de Paris e o Centro de Conservazione e Restauro Di Venaria - Torino.

“Você fica estupefato com esta palhaçada, com Shaun Greenhalgh afirmando que pintou há 35 anos La Bella Principessa no pequeno estúdio do seu jardim no norte da Inglaterra e que não foi Leonardo Da Vinci há mais de 500 anos em Milão, declarou o ex-curador do Museu Britânico e do Getty Museum de Los Angeles, Nicholas Turner.

Turner forneceu uma série de detalhes técnicos para desmentir o falsificador, entre eles o fato de que é impossível imitar a pincelada de um canhoto como Leonardo e não há como justificar que a tela tem como suporte uma madeira de carvalho do século XVII.

“Não vejo o momento de me encontrar o senhor Greenhalgh quando ele explicar como ele desenha como Leonardo, seja em papel, ou ainda mais difícil, em um bom pergaminho, preparado da maneira adequada. Eu me colocarei na primeira fila para vê-lo”, disse Turner.

A primeira a sustentar que esta obra, tanto em termos de traço do pintor como seus materiais, coincide com os primeiros trabalhos em pastel de Leonardo da Vinci, foi a especialista italiana Cristina Geddo, que manifestou sua indignação pelo fato de “uma obra de Leonardo estar envolvida em um assunto tão grotesco e trágico ao mesmo tempo”.

Segundo o fundador do instituto Lumière Technology, Pascal Cotte, “as evidências científica e histórica não deixam dúvidas quanto à autenticidade da obra realizada em pergaminho. Os falsificadores vivem de mentiras e acusações”.

Por outro lado, o professor da universidade de Oxford, Martin Kemp, especialista internacional sobre o pintor italiano, e que juntou todas as provas de que o quadro é de Leonardo, reunidas em um documentário da National Geographic, afirmou que “trata-se de uma história ridícula”.

As declarações de Shaun Greenhalgh, condenado a quatro anos e oito meses de prisão em 2007 por outras falsificações, na véspera da publicação do seu livro, não fazem mais do que alimentar o mistério e a fascinação que cercam esse quadro.

O retrato da jovem loira, de olhos claros, retratada de perfil, que pertence ao colecionador canadense Peter Silverman, foi exposto pela primeira vez na Itália em dezembro do ano passado .

O quadro, que mede 33 por 23 centímetros, foi vendido em 1998 em um leilão em Nova York por US$ 19.000 como um retrato do século XIX de autor desconhecido, com o título “Jovem de perfil com vestido do Renascimento”, mas o colecionador que a adquiriu iniciou suas investigações diante da suspeita de que se tratava de uma obra de da Vinci.

O colecionador enviou documentos e fotos para Kemp, que identificou o retrato como uma folha que faltava de um volume do século XV conhecido como “La Sforziade”, que se encontra na Biblioteca Nacional de Varsóvia e pertenceu ao grande mecenas de Leonardo, o duque de Milão Ludovido Sforza.

Além disso, foi encontrada o uma impressão digital no canto superior à esquerda do quadro “muito similar” à encontrada em um retrato de “San Jerônimo” do pintor renascentista italiano e que se encontra no Vaticano.

Desta maneira, La Bella Principessa anônima para alguns especialistas seria a jovem da nobreza Bianca Sforza (1482-1496) com idade entre 10 e 13 anos, uma das filhas ilegítimas do duque, que foi retratada pouco antes de seu casamento e faleceu poucos meses depois de se casar. / TRADUÇÃO TEREZINHA MARTINO

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