REUTERS/Charles Platiau
REUTERS/Charles Platiau

Especialistas criam perfumes a partir de obras de arte do Museu do Louvre

Iniciativa é inédita e tem prazo de validade: criações estarão disponíveis para o público por apenas um ano

Marta Garde, EFE

03 de julho de 2019 | 15h59

Como cheira uma obra de arte? Oito perfumistas se prestaram a esta reflexão para extrair a essência de grandes criações do Museu do Louvre, que com esta iniciativa oferece pela primeira vez uma experiência visual e olfativa. A Vitória de Samotrácia, Vênus de Milo, San José Carpintero e A Ninfa e o Escorpião são quatro das oito obras escolhidas para a experiência.

A iniciativa, resultado de uma colaboração entre o Louvre e a perfumaria Buly, empresa criada em 1803, é inédita e tem prazo de validade: suas criações só estarão disponíveis para o público durante um ano. “Quem vem ao museu não vem apenas para ver pinturas, esculturas e objetos de arte, mas para viver uma experiência sensorial”, disse à EFE o diretor de Relações Exteriores da galeria, Adel Ziane. O primeiro sentido é a visão, explica ele, mas esse exercício coloca o visitante na atmosfera das obras escolhidas.

 "Eu não queria tentar descrever a imagem através do perfume, mas retransmitir o sentimento, a sua essência", diz a perfumista Sidonie Lancesseur, que teve como referência a obra San José Carpintero, de la Tour. Este retrato íntimo do menino Jesus e seu pai na oficina, com luz de velas como um único ponto de luz, encontrou seu olfativo "alter ego" em um perfume com aromas de verbena, cedro e flor de laranjeira. 

A escolha das obras foi pessoal e variada. Jean-Christophe Hérault, fascinado desde a infância pela escultura grega Vênus de Milo, tentou reproduzir o máximo de sua feminilidade. “Eu queria expressar essas curvas, seu lado carnal. A Vênus de Milo é uma 'femme fatale'”, afirma sobre a icônica estátua de mármore que data de 120 aC. Para representá-la, Hérault compôs uma essência com notas de tangerina e jasmim.

O museu nunca tinha feito um projeto semelhante antes, mas a relação entre os dois mundos é evidente: “perfumaria é uma arte que existe há milhares de anos e acompanha os homens. Nós quisemos prestar homenagem a essa história”, diz Ziane. 

O processo não foi fácil. Alguns perfumistas levaram mais de um mês para encontrar aromas que traduzissem o sentimento causado por quadros como A Banhista Valpinçon, de Jean Auguste Dominique Ingres. Outros ficaram claros desde o início: Vitória de Samotrácia ganhou uma mistura de jasmim, bergamota, magnólia e rosa, e A Ninfa e o Escorpião foi traduzida em uma essência de heliotrópio e amêndoa amarga. 

Os perfumes estarão à venda no Louvre até dia 6 de julho e também em lojas Buly por 150 euros (cerca de R$ 650), com estoque limitado. 

 

Tudo o que sabemos sobre:
Museu do Louvre

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.