MEMORIAL DA AMÉRICA LATINA
MEMORIAL DA AMÉRICA LATINA

Espaço do painel 'Etnias' deve ser restaurado ainda em 2019

Obra da artista Maria Bonomi no Memorial da América Latina ficou bastante avariada com infiltração, em 2017

Pedro Rocha, Especial para o ESTADO

04 Janeiro 2019 | 03h11

 

Um dos maiores cartões-postais de São Paulo, o Memorial da América Latina vai dar início, em breve, a uma obra de restauro do espaço que abriga um dos trabalhos de arte do complexo, o painel Etnias – Do Primeiro e Sempre Brasil, da artista plástica ítalo-brasileira Maria Bonomi.

O painel está exposto no túnel de passagem do portão 1 do Memorial, que fica na saída do metrô Barra Funda. Em 2017, uma infiltração afetou o local e não só colocou em risco a obra de Bonomi, como também a segurança dos visitantes. Desde então, o espaço foi interditado e, agora, a própria artista toca o projeto de restauro do local, com apoio do Memorial. 

O projeto, aliás, já foi autorizado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo, o Condephaat, e aprovado para captação de recursos pelo Programa de Ação Cultural, o ProAC, uma legislação de incentivo à cultura do Estado de São Paulo, criada em 2006 através da Lei n.º 12.268/2006. O Memorial agora busca patrocínio para a reforma. 

O valor aprovado foi de cerca de R$ 900 mil, que, segundo Bonomi, serão utilizados com o plano de engenharia e de arquitetura para a impermeabilização e o restauro de todo o espaço, que terá, ainda, duas novas vias de acesso e uma praça intermediária. “A obra é um conjunto que compreende o espaço onde está inserida, incluindo seu piso, iluminação e os espelhos que contracenam com ela”, explica a artista. “As infiltrações e falta de manutenção no passado avariaram a obra, que ficou desfigurada. Por isso, foi fechada para visitação.”

A obra de Bonomi, produzida a pedido de Oscar Niemeyer, arquiteto responsável pelo Memorial da América Latina, começou a ser produzida em 2006 e foi inaugurada em 2008, quando foi doada ao local. Trata-se de um conjunto de esculturas em argila, bronze e alumínio, distribuídas ao longo do corredor de passagem do túnel, que falam sobre a história do índio brasileiro.

Feito com doações, à época, da Petrobrás e do Itaú, o painel contou, em sua construção, com o apoio de artistas nacionais e internacionais, além de índios da Aldeia Krukutu. “A obra foi criada com 15 toneladas de material e o participação de 60 pessoas. Não poderia ficar abandonada”, acredita Bonomi. 

A expectativa do Memorial é que a obra seja reaberta ao público ainda em 2019, quando o complexo completa 30 anos. “O painel Etnias representa uma experiência estética que dialoga com os visitantes”, analisa o presidente interino do Memorial, Marco Antonio Félix. “Quem passa pelo túnel onde ela está, admira a obra e, logo em seguida, tem à sua frente as curvas do complexo a céu aberto. Ali, os visitantes têm uma visão daquilo que Oscar Niemeyer chamou de ‘o espetáculo da arquitetura’.”

Para Félix, o Memorial tem a obrigação de manter a obra e o espaço. “Por isso, devolver o espaço à população é, acima de tudo, manter a originalidade do projeto de seu criador, enriquecido pela obra de Maria Bonomi, que retrata o índio como protagonista da história e da identidade cultural brasileira.”

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