Escolha de sucessor é aposta na continuidade

Campbell está no museu desde 1995; levantar fundos é meta

Tonica Chagas, O Estadao de S.Paulo

02 de dezembro de 2008 | 00h00

Depois de meses de busca mundo afora e até a contratação de uma firma de caça-executivos, o Metropolitan Museum terá como futuro diretor-presidente um especialista em tapeçarias que vem do próprio quadro de funcionários. O inglês Thomas Patrick Campbell, que assume a posição em 1º de janeiro, trabalha no Met há 13 anos e, até ser escolhido como o sucessor de Philippe de Montebello, era um dos curadores do Departmento de Escultura e Artes Decorativas Européias do museu. A escolha dele para dirigir o museu é vista como uma opção de continuidade e uma transição suave depois de Montebello.Além do desafio de firmar sua identidade no posto, Campbell, de 46 anos, passa a dirigir o maior museu das Américas sob uma das piores crises econômicas dos Estados Unidos - o que significa redução das doações que vinham de grandes bancos e empresas americanos. Uma das principais tarefas do novo diretor será correr atrás de fundos para manter a instituição, que tem orçamento operacional em torno de US$ 200 milhões anuais. E não vai dar para contar com muita ajuda do governo. A prefeitura de Nova York, por exemplo, deve reduzir o orçamento para cultura em 2,5% no atual ano fiscal, que termina em 30 de junho, e dobrar o corte no próximo. Em respeito ao antecessor, que até o último dia do ano ainda é seu chefe, Campbell prefere não discutir seus planos e estratégias para o Met. Ele tem apenas esboçado sua intenção de usar melhor as coleções do acervo e tecnologia para alcançar diferentes camadas de público. "O museu é tão grande, tão forte e tão poderoso em tantas áreas", diz ele, "que é uma questão de evolução em vez de mudança". Pessoa de trato suave como as aquarelas que pinta de vez em quando, Campbell formou-se em literatura e língua inglesa na Universidade de Oxford, em 1984. O gosto pelas artes visuais o levou a fazer curso de um ano sobre belas artes e arte decorativa, na Christie?s de Londres. No ano seguinte, enquanto conhecia museus europeus e americanos, trabalhou como guia turístico em Paris e garçom em Nova York para se sustentar. De volta a Londres, ele fez mestrado no Courtauld Institute of Art, especializando-se na cultura da corte de Henrique VIII. Nesse período, mergulhou em pesquisas sobre tapeçaria européia, o que o levou a criar o arquivo sobre tapeçaria antiga da centenária galeria Franses, de Londres. Com cerca de 160 mil imagens, o Franses Tapestry Archive é considerado a maior e mais atualizada fonte de informações sobre o tema em todo o mundo. Para quem acha que tapetes são um capítulo menor na história da arte, Campbell lembra que esses objetos eram, para reis, papas e nobres, uma forma grandiosa de propaganda.Campbell começou a trabalhar no Met como curador assistente em 1995, terminou seu doutorado também no Courtauld em 1997, e passou a curador em 2003. De lá para cá, foi responsável por duas grandes exposições especiais, sobre tapeçaria renascentista e barroca, surpreendentes pela quantidade de público que atraíram e premiadas por instituições e publicações especializadas.Em entrevista ao jornal The New York Times, embora preferisse não detalhar seus projetos, Campbell esboçou a intenção de reforçar os meios tecnológicos do Met para alcançar, via internet, faixas de público desde o simples curioso ao especialista. Reconhecendo uma das maiores críticas feitas ao museu, a de que ele não acompanha o passo da arte contemporânea, o futuro diretor concordou que há espaço para ela, sim, mas dentro do contexto histórico que o acervo enciclopédico do Met possa lhe dar.

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