Vincent West/ Reuters
Vincent West/ Reuters

Ernesto Neto exalta a vida e a natureza presentes em suas obras, em série do Guggenheim Bilbao

O artista carioca, que estava no Rio de Janeiro, e a curadora, em Nova York, conversaram sobre os pontos de maior destaque na carreira do escultor nos últimos anos

EFE, Redação

16 de janeiro de 2021 | 13h18

O Museu Guggenheim Bilbao apresentou nesta sexta-feira o terceiro vídeo da iniciativa digital #GuggenheimBilbaoInsights, uma série na qual os curadores - Geaninne Gutiérrez-Guimarães no caso desta edição - conversam sobre arte com criadores que contam com obras na coleção do emblemático espaço cultural, como o brasileiro Ernesto Neto.

O artista carioca, que estava no Rio de Janeiro, e a curadora, em Nova York, conversaram sobre os pontos de maior destaque na carreira do escultor nos últimos anos.

O encontro virtual começou com a revisão de Ernesto Neto. El cuerpo que me lleva, a grande retrospectiva que o Museu Guggenheim de Bilbao lhe dedicou em 2014 com grande sucesso de público e que "incluía esculturas orgânicas de dimensões colossais e obras criadas para interagir com elas, experimentando com o próprio corpo e os sentidos", segundo o museu de arte moderna e contemporânea.

Neto revelou como se sentiu ao entrar na enorme estrutura do Gugghenheim, como foi impactante entrar no local e sentir a força interior e exterior do museu projetado pelo arquiteto Frank Gehry. "Foi algo fascinante trabalhar no museu, com essa arquitetura incrível", contou o artista. Ao lembrar da época da montagem da exposição de 2014, o brasileiro revelou que, ao olhar a planta baixa do museu, surgiu para ele a imagem de uma abelha. E foi pensando nisso que dividiu o espaço como se fosse a cabeça, o corpo, garganta, o estomago, as patas, rabo e as antenas do inseto. 

Durante a conversa, foi ressaltado o interesse de Ernesto Neto pela natureza, com ele refletindo sobre sua intensa experiência vivida com os huni kuin (kaxinawá), uma tribo xamânica do estado do Acre que inspirou seus trabalhos mais recentes e suas ideias sobre a vida. Cantanto, explicou como decidiu conhecer os indígenas. "Fiquei muito chocado com a miséria, não sabia se queria ficar lá", contou o artista. Ele diz ainda que foi após uma cerimônia indígena que sua visão mudou sobre a relação com as pessoas, com o mundo e as diversas culturas. 

Ainda falou sobre a grande obra Gaia Mother Tree, com 20 metros de altura, que montou na estação central de Zurique, em 2018.  "Eu me sinto como um operador da criação, que faz parte da relação do céu com a terra", disse. E explicou que a enorme escultura de linhas era como um homem de braços e pernas esticados. "Esse trabalho é uma oração, uma dança, em agradecimento à vida, ao amor à terra, a toda graça que estamos vivos." 

O encontro pode ser assistido tanto no site do museu como em YouTube, Instagram, Facebook e Twitter. 


 

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