Erasmo comemora aniversário com o novo Rock?n?roll

Álbum do Tremendão chega hoje às lojas, incluindo parcerias com Nelson Motta, Liminha, Chico Amaral e Nando Reis

Roberta Pennafort, RIO, O Estadao de S.Paulo

05 de junho de 2009 | 00h00

As drogas ficaram no passado. O álcool, ele diminuiu bastante. Já o maço de cigarros, que podem ser dois nos períodos em que está compondo, continua à mão. Alguns maus hábitos persistem, mas, aos 68 anos, celebrados exatamente hoje, Erasmo Carlos, o vovô tremendão, está ?inteiraço?. A comemoração, entre parentes e amigos, coincide com o lançamento, por sua gravadora, a Coqueiro Verde, do novo disco, Rock?n?roll, numa livraria do Leblon. É o primeiro desde os anos 80, ele calcula, em que o gênero do qual é símbolo aparece à vera. Foi um pedido dos fãs, e também uma vontade de Erasmo. "Estava me devendo isso há muito tempo. Sou um roqueiro brasileiro, então tenho influência de baião, samba, bossa nova, maracatu. É diferente do roqueiro inglês, que só tem aquela influência." Desde Buraco Negro, LP de 1984 que estourou com o hit Close (Dar um close nela...), ele não faz algo "puramente rock?n?roll". Desta vez, com a produção, as guitarras e o baixo de Liminha (e de Dadi), chegou-se a uma sonoridade de rock clássico, com espaço para blues e folk. As parcerias com Roberto Carlos, com quem ele forma a dupla de compositores mais bem sucedida da música brasileira, não tiveram vez - essas costumam ficar nos discos do Rei. Rock?n?roll tem composições com Nelson Motta, Chico Amaral, Nando Reis (duas cada um). No estúdio, Erasmo conseguiu uma letra de Liminha (com colaboração da mulher dele, a atriz Patrycia Travassos) para uma música sua. São parceiros com quem ele cria a distância. Só com seu "irmãozinho" ele compõe de perto. Mas isso não acontece há quatro anos (são três as inéditas dos dois, que deverão entrar no esperado CD de inéditas de Roberto). Foi a última vez em que se viram. Depois disso, só telefonemas em datas especiais. "As pessoas acham que a gente se fala pelo telefone e diz: ?Pô, bicho, viu o filme tal? Vamos sair amanhã?? Isso não existe", disse Erasmo, que, por enquanto, não foi chamado para participar da programação dos 50 anos de carreira de Roberto. "Eu não tenho de estar nos lugares dele, assim como ele não está nos meus."A sua data redonda, contada desde a primeira gravação, com o grupo The Snakes, será completada em 2010. Não há nada planejado. Ele é adepto do "deixa a vida me levar". É assim, também, no amor (não está fechado, garante, mas não voltou a se casar desde a perda da mulher, Narinha, em 1995).O amor surge como temática no novo CD em canções como Jogo Sujo (só sua), que trata do jogos amorosos, Chuva Ácida (com Nelson Motta), sobre o fim do fim de um romance, e Noite Perfeita (com Chico Amaral), uma farra a dois ao som de rock?n?roll. Em Olhar de Mangá, ele lista musas tão distintas quanto Bibi Ferreira e Camila Pitanga, Lady Di e Marge Simpson; Cover é uma grande brincadeira (Gosto muito de ser igual a mim/ Ser o gêmeo do eu original/ Eu mesmo meu próprio personagem), criada por um Erasmo que nunca encontrou um cover para chamar de seu em suas viagens pelo Brasil. Celebridade (com Liminha e Patrycia) é um ska que debocha da mulher que "pôs um piercing no umbigo e tatuou cupido no bumbum", e que não sabe que é amada.A letra de Chico Amaral para A Guitarra É Uma Mulher (com Chico Amaral) encantou Erasmo e também Rita Lee (a "Erasmo Carlos de saias", ele diz). Rita escreveu no texto de apresentação do CD: "Você vai ouvir um macho apaixonado pelas fêmeas do planeta sem o menor pudor. Entre mulheres melancias, samambaias, melões e jacas, só Erasmo para proclamar aos quatro ventos que a mulher é uma guitarra."Em família, está cercado de homens: é pai de três e avô amoroso de quatro meninos, "homenageados" na área externa de sua casa na Barra da Tijuca, onde recebeu o Estado terça-feira - placas dessas de rua indicam onde ficam o "Centro Gastronômico João Gabriel" (a churrasqueira) e o "Parque Aquático Pedro Gil" (a piscina).Estamos na residência de um dos compositores mais bem pagos do País há décadas, mas não se vê luxo. Na sala, que parece saída de um filme dos anos 80, se veem discos de ouro e platina na parede. Entre tragadas de cigarro, ele explica que não se importa de viver ali sozinho. Diz que é antissocial. Conta que, em breve, vai dar início à turnê de Rock?n?roll pelo Brasil. Mas que ninguém espere muita movimentação no palco. Erasmo passou por uma cirurgia no quadril - "tive o mesmo problema do Guga (Kuerten)" - em dezembro passado e terá de cantar quietinho daqui para frente. "O Erasmo dançarino se aposentou", decreta. O roqueiro continua na ativa - e, em setembro, entra em cena o escritor. É quando ele vai lançar, pela editora Objetiva, o livro em que contará ?causos? de sua trajetória. Vem escrevendo há dois anos e meio. Nada sobre escândalos. Ele quer é fazer graça, ver o lado engraçado de tudo o que viveu. "O importante não são as personagens, mas a piada no fim."

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