Entrevista

Abaixo, trechos da entrevista concedida ao Estado em 1994, para Carlos Haag:Como foi o relançamento da integral de Villa-Lobos?Eu a gravei na França em 1979 pela Pathé-Marconi e ela foi lançada no Brasil em 1982 pelo selo Eldorado. No ano passado, a gravadora Solstice resolveu remontá-la em sete CDs e foi um grande sucesso. Meu álbum foi o único a ganhar por unanimidade da crítIca especializada o Disque d?Or, como melhor disco do ano. O que pensa da obra para piano de Villa-Lobos, a senhora já tocou sob a regência do compositor?O que tem de particular é ele, apesar de não ter sido pianista, ter criado efeitos tão extraordinários, mesmo sem poder tocá-los. Esses efeitos são algo muito especial, único. Villa foi um homem profundamente intuitivo e de grande sensibilidade ao som e à melodia. Analisei sua obra para piano em meu Villa-Lobbos: O Índio Branco, publicado na França. Era como gostava de ser chamado.O Brasil é mesmo um país de pianistas?Há a tradição internacional do bom pianismo brasileiro. Acredito que pelo grande número de bons pianistas estrangeiros que vieram se refugiar no Brasil entre as duas guerras nos deram essa base. José Kliass, meu professor, foi aluno de um aluno de Liszt. Minha escola é a de Liszt. Hoje, aliás, dou cursos sobre a pedagogia Liszt na Sorbonne.1993 foi o centenário das grandes Guiomar Novaes e Magdalena Tagliaferro. Como as definiria?Quero acrescentar o nome de Antonieta Rudge entre as grandes. Guiomar foi um fenômeno, uma pianista universal que, sem se instruir sobre o piano, absorveu tudo, uma natureza instintiva. Já Magdalena procurava conhecer outras escolas, estudar tudo, fez parte da vida intelectual de Paris. Convivemos muito aqui. São casos diferentes, mas de altíssimo nível.A senhora gostaria de voltar a tocar no Brasil?(Silêncio) Depende muito. Há tempos não toco no meu país. Se esperam que eu peça para tocar, não vou. Sou refratária a pedir para ser convidada. Me esqueceram no Brasil. Não quero me queixar, porque também não me esforço para ser lembrada. Talvez seja minha culpa, mas meu país me esqueceu.

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