Entre o real e a fantasia do criador de James Bond

Exposição em Londres dedicada a Ian Fleming convida espectador a decifrar o que era ficção e quais as reais conexões de seu personagem com a Guerra Fria

Flávia Guerra, LONDRES, O Estadao de S.Paulo

02 de janeiro de 2009 | 00h00

Aproveitando o sucesso retumbante em 2008 do filme Quantum of Solace, a mais nova aventura de James Bond, o Imperial War Museum (Museu Imperial da Guerra) de Londres mantém em cartaz uma mostra dedicada a Fleming: For Your Eyes Only: Ian Fleming and James Bond (Somente para seus Olhos: Ian Fleming e James Bond).Entender até que ponto era tudo ficção ou descobrir as reais conexões entre a criação de Fleming e a verdadeira Guerra Fria é o principal propósito da exposição. Mas nenhum fã do cinema vai sair desapontado. Pelos corredores do majestoso museu há manuscritos originais que Fleming escreveu em Goldeneye, sua escrivaninha, na sua mitológica casa na Jamaica. Para alegria dos mais fashion, está também o biquíni que Halle Berry usou em Die Another Day, uma homenagem ao look de Ursula Andress em Dr. No. Sem contar a Colt Python 357 Magnum que pertenceu ao autor. Para finalizar, os originais de For Your Eyes Only. Além de ser o oitavo livro de Fleming, (no Brasil, foi lançado em 1965 como Para Você, Somente), um dos contos serviu de inspiração para o novo Quantum of Solace.Depois do passeio, que inclui também camisas ensanguentadas que Craig usou em Cassino Royale, é praticamente lição de casa obrigatória rever clássicos como Dr. No. Para quem não pode ir até o Imperial War Museum, a opção é conferir a exposição virtual (london.iwm.org.uk).Recentemente, nova leva de DVDs com os clássicos de 007 chegaram ao mercado. Em tecnologia Blu-ray (o sucessor do DVD), a nova coleção inclui 007 - Contra o Satânico Dr. No, Moscou Contra 007 , 007 Contra a Chantagem Atômica, Somente para Seus Olhos, Viva e Deixe Morrer, Um Novo Dia para Morrer. Em breve, serão lançados todos os outros clássicos. A diferença de (re)vê-los em blue-ray? A definição, capacidade de armazenar dados, interatividade e, claro, extras, muitos extras. Nova tecnologia para Bondmaníaco nenhum reclamar. Poucos (ou só mesmo os fãs mais dedicados) sabem de fato de onde Ian Fleming tirava inspiração para as histórias, muitas absurdas, que seduziram o mundo. A fonte não poderia ser mais óbvia: de sua própria cabeça. Ou melhor, de seu dia-a-dia como funcionário público a serviço da Rainha nos anos de 2.ª Guerra Mundial. O endereço da repartição: Bletchley Park. Nunca ouviu falar? Não se assuste. Fora da Inglaterra, poucos sabem que Fleming, apesar de ter trabalhado por anos como codebreaker (decifrador de códigos) a serviço da Marinha, morreu sem jamais ter falado sobre o período em que passou em Bletchley Park."Silêncio é de ouro. Conversa descuidada pode custar vidas." O slogan não era só ''para inglês ver'' em Bletchley Park. Os cartazes que se espalhavam por toda Inglaterra durante a 2.ª Guerra eram de fato cruciais em tempos em que uma palavra dita sem cuidado podia custar milhares de vidas. E isso está em cada parede de uma das centrais de espionagem mais importantes, e menos conhecidas, do mundo. Uma verdadeira Disneyland. Ou seria Bondland?

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.