Entre o passado e o futuro da bossa nova

Iniciativa da Rádio Eldorado, Bossa''50 é uma mostra multimídia que trata das influências e desdobramentos do movimento

Francisco Quinteiro Pires, O Estadao de S.Paulo

08 de julho de 2008 | 00h00

A maioria das palavras pronunciadas por João Donato, de um jeito ou de outro, traduz o espírito da bossa nova. No ano em que se comemora o cinqüentenário do movimento que mudou a história da música brasileira, o pianista João Donato pede calma e atenção às pessoas. Veja especial sobre a bossa nova''Tenha paciência ao perguntar, porque a resposta pode vir no momento seguinte'', ele diz. Um dos responsáveis pela revolução bossa-novista, mas não tão lembrado como João Gilberto e Tom Jobim, João Donato diz que a bossa nova é uma bênção de Deus. ''Ela é o entendimento, a compreensão, a felicidade, a paz'', diz o instrumentista nascido no Acre, em 1934.Esse espírito bossa-novista, que vai na contramão de um mundo imediatista e violento, como lembra Donato, será resgatado no palco do Auditório Ibirapuera hoje (às 21 h) e amanhã (às 17 h) por ele e seus convidados. Amanhã, a apresentação é gratuita. Na sexta, João Donato se apresenta no Theatro Municipal do Rio.Passando sua carreira em revista, Donato tocará com Adriana Calcanhotto, Bebel Gilberto, Fernanda Takai, Marcelo Camelo, Marcelo D2 e Roberta Sá. ''É preciso ser simples, mas não primitivo, a coisa simples será sempre a mais moderna de todas'', diz Donato sobre o segredo da bossa nova, que é também o das suas obras. Com essa mesma atitude, sem nenhuma ambição aparente, Donato trabalha em novo disco - Bad Donato 2, quase 40 anos depois do primeiro - que será lançado neste ano.O jornalista Nelson Motta é o responsável pelo roteiro dos shows. O compositor Mario Adnet assina os arranjos, além de ser o diretor musical. Adnet vai reger a Orquestra Ouro Negro, formada por um naipe de nove sopros, violão, baixo, guitarra, piano, teclado, percussão e bateria. Cada convidado fará uma apresentação-solo. No repertório estão A Rã (interpretada por Bebel Gilberto), Simples Carinho (por Marcelo Camelo), Naquela Estação (por Adriana Calcanhotto), além das canções Sambou Sambou (por Roberta Sá), Gaiolas Abertas (por Fernanda Takai) e Balança (por Marcelo D2). No fim, todos interpretam A Paz.

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