Entre brindes e palavras, a literatura na Vila Madalena

Desde 2003, os paulistanos descem a serra para ir até Paraty, a cidade histórica do Rio que sedia a Flip (Festa Literária Internacional). Entre os habitués, Marcelino Freire, Xico Sá, Ivana Arruda Leite e Reinaldo Moraes. Mas a cada edição, Marcelino sentia falta de uma noite como a da Mercearia São Pedro, reduto de literatos, na Vila Madalena. Em meio a uma das tantas reuniões no bar, ele teve um estalo, que Ivana denomina de "delírio". "Queria fazer algo nos moldes da Flip. Mas que fosse descompromissado", conta. Numa "tarde boba de domingo", Ivana sugeriu o nome. "Eles estavam falando do projeto. E disse: ?Gente, isso é uma Balada Literária.?" Estava nomeado.Sem patrocínio, Marcelino fez em 2006 a primeira edição em espaços culturais da boêmia Vila Madalena, sem divulgação. No ano seguinte, cresceu. "Estava espremida entre uma jabuticabeira e uma parede para ver Antonio Candido em uma das palestras. Ali eu vi que a Balada era mais que a Flip", afirma Ivana.De hoje até domingo, Marcelino promove a terceira edição, que ele chama "a mais milionária de todas". Não está equivocado. Este ano, a Balada Literária reunirá quatro dos nomes mais falados de 2008. Amanhã, às 11 h, na Livraria da Vila, Álvaro Costa e Silva media a mesa que tem Cristovão Tezza e Beatriz Bracher - ele contemplado nos prêmios Bravo!, Jabuti e Portugal Telecom, com O Filho Eterno; ela concorrente direta de Tezza no Prêmio São Paulo de Literatura, com Antônio. No mesmo dia , às 18 h, no Sesc Pinheiros, Ivana intermedia a discussão entre Menalton Braf e Murilo Antônio de Carvalho - o primeiro está no Prêmio SP de Literatura, Murilo ganhou 200 mil no Prêmio Leia. A festa que segue até domingo terá um total de onze mesas, além de uma homenagem ao Dia da Consciência Negra (hoje, no Teatro Brincante), uma apresentação lítero-musical de Gero Camilo (sábado, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima) e o show de encerramento com a gaúcha Pata de Elefante, às 20h, no Centro Cultural b_arco. Como se trata de uma Balada, o "pé na jaca completo", lembra Marcelino, é sexta, na Mercearia São Pedro - onde será, na verdade, a saideira de todos os dias. Afinal, diz Xico Sá, é "preciso sujar a literatura".ServiçoBiblioteca Alceu AmorosoLima. R. Henrique Schaumann, 777, 3082-5023Centro Cultural b_arco. R. Virgílio de Carvalho Pinto, 426, 3081-6986 Centro da Cultura Judaica. R. Oscar Freire, 2.500, 3065-4333 Livraria da Vila. Rua Fradique Coutinho, 915, 3814-5811Mercearia São Pedro. R. Rodésia, 34, 3815-7200Sesc Pinheiros. R. Paes Leme, 195, 3095-9400 Teatro Brincante. R. Purpurina, 428, 3816-0575Programação: www.baladaliteraria.org

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.