EFE/ Rijksmuseum
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Encontrado esboço que revela a origem da pintura 'A Ronda Noturna' de Rembrandt

Cerca de trinta especialistas trabalham há dois anos e meio nesta tela, uma das mais famosas do mundo, estudando-a detalhadamente com as mais avançadas tecnologias de imagem e digital

Charlotte Van Ouwerkerk, AFP

08 de dezembro de 2021 | 16h36

HAIA, HOLANDA - Um esboço se esconde sob as camadas de tinta do famoso quadro de Rembrandt A Ronda Noturna: pesquisadores anunciaram nesta quarta-feira, 8, uma descoberta que revela a "gênese" da grande obra-prima do artista holandês.



Este esboço revela, em particular, que Rembrandt originalmente queria pintar penas no capacete de um soldado e que ele decidiu remover uma espada que havia colocado entre os dois personagens principais. 

"As penas são muito visíveis no esboço, mas não na pintura", explicou Pieter Roelofs, diretor do departamento de pinturas e esculturas do Rijksmuseum em Amsterdã, durante uma entrevista coletiva. 

"Não sabemos por que ele mudou de ideia, provavelmente porque estava focando muita atenção neste personagem", acrescentou. 

Cerca de trinta especialistas trabalham há dois anos e meio nesta tela, uma das mais famosas do mundo, estudando-a detalhadamente com as mais avançadas tecnologias de imagem e digital.



O Rijksmuseum anunciou nesta quarta-feira o resultado desta primeira etapa do trabalho, cujo objetivo é compreender a técnica do artista e devolver todo o seu brilho e esplendor a esta tela monumental. 

"A descoberta do esboço constitui um grande avanço nesta investigação", "descobrimos a gênese" desta obra, disse com deleite Taco Dibbits, diretor do Rijksmuseum, que exibe A Ronda Noturna, pintada em 1642. 



 

Restauração histórica

O holandês Rembrandt van Rijn (1606-1669) recebeu em 1642 uma ordem do capitão da milícia burguesa de Amsterdã, Frans Banninck Cocq, para retratar seus oficiais e outros membros. 

Desde julho de 2019, milhões de visitantes do Rijksmuseum observaram a restauração histórica da obra, protegida por uma caixa de vidro na galeria de honra. 

Em quase quatro séculos de existência, esta enorme pintura correu várias riscos. Se salvou dos nazistas, mas foi dividida em pedaços  em 1715 para ser colocada na Prefeitura de Amsterdã. 



Sua última grande restauração ocorreu há mais de quatro décadas, depois que um homem mentalmente perturbado a rasgou em 1975. 

Então, os especialistas perceberam manchas brancas principalmente em torno das bordas das partes danificadas com a faca, descolorindo um pequeno cachorro que aparece no canto inferior direito da obra.

A Operação Ronda da Noite custou vários milhões de euros e é o maior e mais abrangente trabalho de pesquisa e restauração de uma obra-prima. 

Os especialistas começarão a partir de 19 de janeiro a tratar algumas deformações no canto superior esquerdo da pintura. Em seguida, vão avaliar se será necessária uma restauração completa da obra. 

"O estado geral da pintura é o que se pode esperar de uma pintura de quase 400 anos", disse Roelofs, no entanto, "não há sinais de alarme", disse ele.

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