''Emociones'' voltam a ser emoções no Madison Square

Roberto Carlos abre turnê em Nova York dedicada a latinos e cede ao apelo do público, que cobra canções em português

Tonica Chagas, NOVA YORK, O Estadao de S.Paulo

26 de maio de 2008 | 00h00

A primeira turnê internacional de Roberto Carlos depois de 12 anos foi preparada principalmente para quem conhece as mais de 200 músicas que ele gravou em espanhol. Mas já na estréia, na noite de sexta-feira, em Nova York, ele não teve outro jeito senão ceder para agradar aos brasileiros que representavam pelo menos 80% das mais de 5 mil pessoas que lotaram o WaMu Theater, no Madison Square Garden. Num show de diplomacia romântica bilíngue, ele dividiu nos dois idiomas quase todas as letras das 18 canções que apresentou, para felicidade geral dos conterrâneos e também dos mexicanos, porto-riquenhos, equatorianos e de outros latinos hispânicos. Assim, o Rei manteve sua platéia em delírio contínuo por duas horas.Ele abriu o show com Emociones, a versão castelhana de Emoções, e a reclamação começou a meio-tom. Mas o cumprimento "Buenas noches. És um placer reverlos aquí en Nueva York" foi respondido pelo protesto ritmado de "por-tu-guês, por-tu-guês, por-tu-guês". Desculpando-se que corria o risco de não lembrar as letras, Roberto disse que tentaria fazer o melhor que pudesse. E partiu para a mistura de línguas - "Cada vez que a gente se encontra, me dá ganas de preguntar: que será de ti?" - ao introduzir a segunda canção, Como Vai Você, ou Que Será de Ti, na versão para o espanhol. E o meio a meio continuou com Cama e Mesa/Cama y Mesa, Detalhes/Detalles (com ele sozinho ao violão), Desabafo/Desahogo e outras composições de sucesso, a maioria feita por ele em parceria com Erasmo Carlos nos anos 70. A apresentadora Hebe Camargo e o comediante Tom Cavalcante viram o show na quinta fila do bloco central de assentos do teatro.Podia-se distinguir na platéia famílias inteiras e, principalmente, grupos de amigas na faixa dos 50 anos de idade. "Troquei a data da viagem da minha mãe de Tupã para cá para ela ver o show. É meu presente, atrasado, de Dia das Mães para ela", contou Flávia Fonseca, paulista que mora em Somerset, em New Jersey, estado vizinho de Nova York. Flávia tem 26 anos e diz que virou fã de Roberto "por herança" da mãe, Marlene, de 50. Como ela, sete portuguesas de Braga que moram em Mineola (a 40 minutos de trem de Nova York), viam Roberto ao vivo pela primeira vez. Carolina Murça, uma delas, dizia entusiasmadíssima antes do show: "Hoje deixamos os maridos em casa para podermos gritar até morrer pelo Roberto Carlos". Duas horas depois, afônica, ela sussurrou: "Foi a melhor coisa que já vi". A animação geral deu lugar a um silêncio respeitoso quando Roberto foi para o piano cantar Acróstico, música que compôs em 2003 e ainda pouco conhecida fora do Brasil. Quando as primeiras letras dos versos, projetados numa tela ao lado do palco, formaram a frase "Maria Rita, meu amor", o público compreendeu que aquela era uma homenagem à terceira mulher de Roberto, que morreu de câncer em 1999.A balbúrdia também foi menor com Aquarela do Brasil, música de Ari Barroso que fez surgir várias bandeiras brasileiras pela platéia. Mas as pessoas estavam ali tanto para ouvir Roberto Carlos como para cantar com ele. E quase todas as músicas foram acompanhadas por um coro de mais de cinco mil vozes. Em duas línguas. Surgiu um carrinho inflável branco e azul no palco e a maioria cantou O Calhambeque. Já o mexicano de Oaxaca Cristóbal Ortiz, de 33 anos, puxou da memória a letra da versão dessa música para o espanhol, Mi Cacharrito, que ouviu pela primeira vez quando era criança, numa apresentação de Roberto Carlos no programa de TV Siempre en Domingo, em sua terra natal.Ortiz e seus irmãos mais novos, Rosa e Eleazar, vivem em Poughkeepsie, no interior do Estado de Nova York, e enfrentaram duas horas de estrada para ver Roberto no Madison Square Garden. No fim do show, eles ligaram pelo celular para a mãe, Rafaela, para que ela pudesse ouvir as duas músicas do bis, Amada, Amante e Eu Quero Apenas.No fim de semana, Roberto Carlos teve apresentações também com lotação esgotada em Boston, no Estado de Massachussets, e em Elizabeth, New Jersey. A turnê continua esta semana com dois shows em Santo Domingo, na República Dominicana. Depois vai para Miami, Los Angeles, segue para o México, com apresentações na Cidade do México, Monterrey e Guadalajara, e termina em Santiago, no Chile. Essas apresentações devem render um DVD e um CD gravados ao vivo.

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