Emílio vai além de pintar ''''aquarelas'''' no novo CD

Em De Um Jeito Diferente, cantor desvia da fórmula que o marcou, optando por algumas canções inéditas, várias desconhecidas e poucas consagradas

Lauro Lisboa Garcia, O Estadao de S.Paulo

23 de dezembro de 2007 | 00h00

Dos quase 40 anos de carreira, Emílio Santiago passou a maior parte marcado por regravar sucessos já consagrados por outros cantores, principalmente nos sete volumes do projeto Aquarelas. De Um Jeito Diferente (Indie), chega, enfim, para revalorizar o grande cantor que havia se diluído nas marés cíclicas do mercado. Com direção artística de Philippe Neiva e produção de Ricardo Silveira, o novo disco não atende ao apelo popular como as ''''aquarelas'''', embora Emílio não tenha se submetido a nenhum corte radical de estilo. Continua cantando variações de samba, jazz, bolero, bossa e afins.A diferença é que agora, além de contar com ótimos arranjos, ele optou por uma maioria de canções pouco conhecidas, três delas inéditas, e algumas consagradas, como Dindi (Tom Jobim/Aloysio de Oliveira) e My Foolish Heart (V.Young/N.Washington). ''''Não tenho mais que provar a ninguém que tenho voz. Sempre quis falar cantando e cantar falando. O mais importante é a entrega'''', diz.João Donato e Marcos Valle tocam piano em várias faixas e Nana Caymmi divide os vocais com ele em Olhos Negros (Johnny Alf/Ronaldo Bastos). Além de revitalizar três composições de Mart''''nália, extraídas do obscuro álbum de estréia da cantora, Minha Cara (1995), outras de Rosa Passos, Joyce e Valle, Emílio promove a estréia de duas parcerias: Carlos Lyra e Valle (Até o Fim) e Donato e Carlinhos Brown (Um Dia Desses).Aceitando a sugestão de seu diretor artístico de ''''colocar toda a experiência de quase 40 anos de carreira'''' no novo CD, Emílio diz que fez tudo a seu modo, sem interferências. ''''É muito difícil acontecer isso, as gravadoras não têm mais cast, ninguém mais quer cantor, todo mundo só quer projeto'''', diz ele, mas sem renegar as Aquarelas. ''''Nunca me senti preso a nada, sempre fui um cantor livre pra voar. Então fazia aquele projeto com o maior carinho do mundo, mesmo porque o povo o abraçou. Havia sempre uma cobrança pelo próximo'''', lembra. ''''Quando cheguei ao sétimo achei que já tinha dado uma contribuição legal para o projeto. A idéia de quando ele foi criado era de fazer a música brasileira voltar a ser tocada no rádio, ser vendida, ser cantada e dançada.'''' O primeiro da série foi em 1988 (''''numa tarde gravei as músicas todas''''), mas o formato já se esboçara no álbum Brasileiríssimas, de 1976.O novo CD é dedicado a Durval Ferreira, morto este ano, e encerra com sua delicada Moça Flor (parceria com Lula Freire). Foi Durval quem levou Emílio para gravar o antológico disco de estréia, de 1975, depois de vê-lo cantar num concurso na televisão. Aos 61 anos, a voz do cantor permanece tão envolvente quanto a que impressionou Durval, quase nada afetada pela ação do tempo. ''''A voz é a saúde da gente, reflete exatamente isso. Faço de tudo, mas sempre nas doses certas. Não posso deixar de namorar, de beber, de tomar gelado, mas dentro de certos limites. A gente tem de estar pleno na hora de cantar.''''

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.