Rafael Arbex
Rafael Arbex

Emanoel Araújo rebate acusações de assédio

Criador e diretor do Museu Afro Brasil já constituiu um advogado para tratar das denúncias que circulam na rede

O Estado de S. Paulo

26 Dezembro 2017 | 18h36

O criador e diretor do Museu Afro Brasil, Emanoel Araújo, 77, acusado por ex-funcionários da instituição de assédio sexual, rebateu ontem as denúncias que circulam pelas redes sociais e disse ao Estado que já constitui um advogado, Belisário Santos, para tratar da questão. Segundo ele, essas acusações estariam ligadas à demissão da funcionária Renata Felinto, criticada por Araújo no programa Roda Viva da TV Cultura, exibido no dia 18 de dezembro. O diretor, contudo, não quis comentar o caso particular da ex-funcionária, que teria movido uma ação trabalhista e recebido indenização do museu.

A primeira denúncia de assédio sexual partiu do produtor e massagista Felinto dos Santos, em depoimento publicado em seu perfil no Facebook, no dia 20 de dezembro. “Isso é coisa do Brasil, onde você é injustamente acusado por demitir alguém”, limitou-se a comentar Araújo. Hoje, dia 26, Felinto, que trabalhou cinco anos no Museu Afro Brasil, voltou a acusar o diretor, que teria, segundo ele, agarrado seu braço com força em certa ocasião.

Após a publicação da denúncia, um dos comentários, assinado por Newman Costa, acusou igualmente o diretor, afirmando que presenciou cenas de assédio sexual no museu, onde trabalhou, tendo conhecido Araújo em 2006. Ele mesmo, garantiu o ex-funcionário em depoimento na rede social, foi vítima de assédio.

Emanoel Araújo criou o Museu Afro Brasil, instalado no Parque Ibirapuera, em 2004. A instituição tem um acervo de mais de 5 mil obras, algumas delas doadas pelo próprio fundador do museu, que é também colecionador e escultor. Hoje, por volta das 18h50, o diretor do museu divulgou a seguinte nota à imprensa: "Eu, Emanoel Araújo, Diretor Executivo do Museu Afro Brasil, ante matérias com  declarações mentirosas publicadas na imprensa, venho a público para esclarecer. Reitero o desmentido categórico em relação a cada uma das acusações de assédio sexual a mim atribuídos. O espaço de convivência no Museu Afro Brasil é público, sempre ali havendo colaboradores e visitantes. Pública é também a minha vida e minha militância em favor do movimento negro, sua cultura e seus valores.

Essas acusações só se iniciam após minha crítica à ex-colaboradora, Renata Felinto, feitas no programa Roda Viva. Ali, declarei ser uma incoerência a aceitação na participação de um projeto carente de recursos e, muito depois, uma reclamação trabalhista contra a instituição, ícone maior da cultura negra. A crítica foi um mero desabafo. Os trabalhadores da cultura devem, sim, ter seus direitos sociais e trabalhistas respeitados. A crítica foi política. A partir daí, ouvi censuras à minha declaração, o que minha formação democrática me obriga a entender.

Não entendo, porém, as invencionices do irmão da criticada e de seus amigos. Jamais pratiquei o crime de assédio sexual por eles torpemente afirmado, anos depois de supostamente praticados...Ideias combatem-se com ideias, não com falsa imputação de crime.

Tomarei as providências jurídicas que entender cabíveis para atalhar essa campanha difamatória, caluniosa e covarde contra minha pessoa."

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